Resenha NIN – Ghosts I-IV / The Slip Agosto 12, 2008
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NIN – Ghosts I-IV / The Slip
Foi o bastante: eu já tinha o prelúdio do que seriam as obviedades de toda arte que se quer politizada, acompanhadas por uma pira sonora e soturna que, se expressadas textualmente, desmentiria a sentença anterior. Michael Trent Reznor seria o último dos meus leadsingers, o único herói que não morrera de overdose e, acometido da síndrome dualista da contracultura, resolvera apostar como Bono que outro mundo era possível.
Só que não soou otimista. Da estética monster, desconstruída do punk, veio o rock industrial herdado de contradições simplórias, mas não menos idealizadas, de lutas de classes pré-capitalistas. Junto, trouxe o ceticismo pós-moderno. E NIN virou a síntese da complexidade de composições que superaram o marxismo; politizadas, mas individualistas. Quase um rasgo social, quase um prenúncio da sociopatia.
Mas surgiu o mundo Last.fm. Fez-se a tag. E depois de superar a fase starfuckers (veja box), Reznor aprendeu. Libertou-se das grandes gravadoras e The Slip, que atesta sua alcunha industrial synthpop desde Pretty Hate Machine (1989), chegou. O álbum que faz o Madame parecer futurista e hoje transforma a Torre num tributo ao passado veio, com suas dez faixas no Creative Commons, despreendido no MySpace e Torrents da vida. Versões físicas em CD e vinil estão previstas para julho.
A velocidade chegou a 1GB, junto com individualismo. Experimentações do-it-yourself aliadas com alguma inteligência, fez também o Ghosts I-IV, lançado em março desse ano. Uma piração instrumental, com 36 faixas e duas horas de pura catarse, que chega lembrar a frenética trilha de Twin Peaks (David Lynch; 1991), criada pelo compositor Angelo Badalamenti, com sintetizadores barulhentos que acompanhavam a investigação quebra-cabeça de quem teria matado Laura Palmer.
É um substrato impressionante pra remixes, que não tardarão a chegar. “Trilha para dias de sonho, baseadas em uma perspectiva audiovisual”, como apresentou o próprio Reznor. Mas Ghosts também não é nada a mais do que já não fora assinalado antes, em canções como “The Frail” e “The Wretched” (The Fragile; 1999). Pra quem viu a virada das duas no DVD de “All Could Have Been”, lançado em 2002, não deixaria nenhum espectro falar que é novidade de 2008. Tão soturno, barulhento e noir como sempre foi o Nine Inch Nails.
Sem anúncio de que seriam lançadas, as faixas do Ghosts I-IV foram surgindo aos mais atentos no maispece. Mas algo totalmente esperado, no entanto, a não ser o fato de que Reznor nomeou bem dessa vez e criou forma, estética, e distribuição fácil de serem tachadas como experimental. Esses dois álbuns foram lançados pela The Null Corporation, selo criado para fugir das majors e para cuidar do canal da banda no YouTube, e que, fugindo dos moldes tradicionais, distruibui subcontratos para outras gravadoras. A idéia de um selo “lançando” esses trabalhos soa até um pouco estranha, ainda mais com a banda licenciando esses trabalhos pela democrática Creative Commons. Ouça no simpático player abaixo – devidamente fornecido pela banda em si – as faixas de Ghosts I-IV.
THE SLIP: De volta ao espectro do existencialismo
O disco já começa com um binário sombrio-frenético, nos 10s de “999,999″ para a pesada “1,000,000″. Mas é em “Discipline” que está a aposta de um novo single, candidata pra pistas, dançante, ao gosto do hit “Closer” (1994). Sem ser libidinosa nem SM, mas levada por uma bateriazinha – que lembra o famigerado refrão “I wanna fuck you like an animal” -, e aliada a uma vontade de responder passivamente um “you can”. “Discipline” questiona relações, bem NIN, niilista – diferente do que foi o antibush Year Zero (2005).
“Echoplex” segue numa baladinha. Com “Head Down” e “Demon Seed” dando um show de distorções até “Lights in the Sky”, com piano, harmonia atonal, e um Reznor entoando um sussurro melancólico. Em “Corona Radiata”, voltamos pro Ghosts e a reprodução de um ambiente planetário, no melhor de música de fone para olhar paisagem.
The Slip atesta as variações pesadas, leves e experimentais em um álbum que não tem necessariamente um conceito. Longe do que foi o seu predecessor experimental, Ghosts – que, apesar de custar US$ 300 em sua edição de luxo e soar muitas vezes um pedaço de cada música do NIN já lançada – tem uma forma, e abre, tanto no seu lançamento quanto em sua experimentação musical, outras perspectivas para a banda e a indústria fonográfica, atualmente em fase de mutação.
The Slip: 4.0
Ghosts I-IV: 4.8
Estrella ‘defende’ drogas em artigo Fevereiro 5, 2008
Posted by Monique Oliveira in Rraurl.Tags: cinema, cultura, Meu nome não é Johnny
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Estrella ‘defende’ consumidores de drogas em artigo
O verdadeiro Johnny do filme coloca usuários como o menor dos problemas e derruba argumento de que classe média sustenta o tráfico
23.01.08 17:40
Quem viu ‘Tropa de Elite’ pode ter mudado seus conceitos sobre o BOPE. De personagens esféricos, como Capitão Nascimento, retratado com extraordinária complexidade psicológica, nasceu a compreensão humana, mesmo que injustificável, de uma autoridade desmedida. O mesmo não aconteceu, no entanto, com os universitários, que, ávidos por qualquer tóxico que os eleve a uma supra-realidade, atropelam qualquer princípio.
Intencionalmente ou não, Meu Nome Não é Johnny tem sido apontado como uma resposta à questão, reducionista, de que a classe média sustenta a violência gerada pelo tráfico. Inspirado na história do hoje produtor musical João Guilherme Estrella, que negociou cocaína no Brasil e no exterior entre 1989 e 1995 – quando foi preso -, o filme desmistifica a atuação da classe média, e a coloca como protagonista do sistema de entorpecentes.
PURA FESTA
Mas não é só isso. O filme tem gerado debates. Na Folha de S. Paulo de hoje (23/01), Estrella escreveu um artigo em que explicita a questão; de forma clara, sem medo de polemizar. Mesmo fazendo um jogo dúbio em que ora coloca a elite como alienada de qualquer realidade social diferente da dela; ora ressaltando a ‘inocência’ do consumo, o ex-dealer ressalta a ignorância que é insistir nessa mea culpa.
“Só quem não sabe nada de criminalidade pode achar que apontar a classe média consumidora de drogas como responsável pela violência nos centros urbanos vai ajudar em alguma coisa”. E continua: “Alguém tem alguma dúvida de que os jovens não estão nem aí para essa culpa? Eu negociei com muita gente da elite. É pura festa, meu amigo, pura festa.”
Apesar de apontar que a “a sociedade como um todo tem responsabilidade”, o produtor faz uma diferença entre ‘mais’ e ‘menos’ culpados. Os ‘mais culpados’ seriam a elite, que como representante de tipos sociais e servidores – cegos – de uma classe corrompida, resguarda suas abstrações teóricas para servir de embasamento à realidade sempre protegida pelo capital.
De outro lado, ele indica os ‘menos culpados’. “O jovem pobre e criminoso também não está preocupado com isso [a violência gerada pelo tráfico] – e tem lá os seus motivos. Ele faz parte de uma parcela da população que, além de ser massacrada pela miséria, ainda é esculachada pela polícia, enganada por políticos e jogada na marginalidade mesmo quando não é bandida.”
PROBLEMAS MENORES?
Afora a aparente contradição do artigo – justa até pela complexidade que o assunto pede-, a ‘defesa’ classista aparece quando Estrella esquece o relativismo, o recalque e alfineta o pensamento que, com o argumento da violência, apenas camufla o conservadorismo:
“Sinceramente? A cocaína e o ecstasy são problemas sim, mas não são os mais graves que temos neste país” (…) “A bem da verdade, quem dera nossos maiores problemas fossem o ecstasy que a rapaziada toma nas festas e que estão na mídia o tempo todo.”
Com todos na procura de bodes expiatórios, podemos colocar aí também que culpa é dos políticos, os clichês de que falta educação no Brasil, que a propaganda incentiva o consumo, que a pós-modernidade pede paliativos… e aí a gente dá um giro de 360º em um debate cego, em que poucos, como Estrella, realmente se comprometem.
Monique Oliveira (moniquemails @ gmail.com)
Jornalista metida a socióloga, ela aposta na fluoxetina auditiva na noite; mas não foge de ruídos dissonantes quando o sol tilinta
Folha de S. Paulo – Crise BRA Fevereiro 5, 2008
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Passageiros ficam sem informação e não obtêm acordo em Congonhas
MONIQUE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Desempregada, a dona-de-casa Elisandra Andréia da Silva, 33, planejava reencontrar o filho que tinha ido morar em Natal com o pai. Com passagem da BRA marcada para o dia 28, ela tentava ontem conseguir reembolso do dinheiro na loja da empresa no aeroporto de Congonhas.
“Me disseram que eu tenho que esperar até 30 dias, mas não tenho dinheiro hoje para comprar outra passagem.”
Assim como Elisandra, estar longe da família era o drama do aposentado Antônio Gomes da Silva, 62. Ele planejava visitar a irmã na Bahia e, quando soube do cancelamento dos vôos, foi ao Procon se informar. “Estou com todo tipo de papel aqui para receber meu dinheiro de volta.”
Para quem quer reclamar na Justiça, no entanto, o Juizado Especial Cível em Congonhas suspendeu os acordos feitos até quarta-feira para o embarque em outras companhias aéreas.
O motivo, segundo Márcia Negretti, diretora do juizado, é a falta de um posto da BRA que representasse a empresa para intermediar o acordo com os consumidores.
Até as 16h de ontem, o juizado registrou 17 reclamações sem acordo e apenas uma resolvida com o embarque do passageiro.
Nos balcões de check-in da TAM, Gol, e Varig em Congonhas, a informação dos funcionários era que os passageiros da BRA conseguiam embarcar sem problemas. Para a comerciante Danúbia Menezes, 37, que tentava trocar seu bilhete na Gol, não há facilidades.
“Eu fiquei na quarta-feira aqui esperando uma informação, disseram que iam trocar meu bilhete e hoje não podem mais.” Ela, que voltou para a loja da BRA, diz ter ouvido de uma das funcionárias da empresa um desabafo: “Ontem te disseram que iam trocar seu bilhete, eu também tinha um emprego ontem e não tenho mais”.
Caderno 2 – Entrevista Apparat Fevereiro 5, 2008
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Apparat e a eletrônica intimista
Produtor alemão cansou do laptop e traz banda para show dia 25, no Ibirapuera
Monique Oliveira
Com uma estrutura de banda, o DJ e produtor alemão Sascha Ring, ou Apparat – nome que significa aparato em alemão, mas ao qual o produtor evita dar qualquer significado mais conceitual – é a principal atração do Motomix para os apreciadores de música eletrônica. Ele se apresenta no dia 25, domingo, e de graça no Parque do Ibirapuera. O DJ (que também é conhecido pela polêmica frase ’sou um desenvolvedor de sons, não de batidas’) traz faixas do recém-lançado The Walls, álbum intimista e melódico – como as suas últimas produções.
Em entrevista por telefone, de Berlim, Sascha explica que, apesar de ser a cidade onde se tornou conhecido, ele não compartilha do mesmo gosto musical reinante por lá. ‘Nunca me senti um alemão, só não me pergunte de onde eu venho.’ Segundo ele, seu som é muito pouco requisitado para os clubes de lá. ‘A noite berlinense aposta em sonoridades pesadas. E não é meu tipo de som.’ Na Alemanha, o minimal representou apenas um modismo, e o trance, tão popular nas raves brasileiras, nem chega perto dos line ups. De inspiração para o mundo inteiro, o país é a Meca da música eletrônica. Galpões vazios, após a queda do Muro, fizeram com que conceber um clube ficasse simples e barato. Aliado à cena de Detroit, o país se tornou o mais prolífico de selos e produtores da e-music.
Sascha foi na leva daqueles que aproveitaram o boom do tecno no início dos anos 90 e, desde 1999, é um dos donos do selo Shitkatapult. Da sua proveitosa parceria com Ellen Alien, que tocou no D-Edge em março deste ano, nasceu o Orchestra of Bubles (2006), álbum ovacionado pela crítica no mundo inteiro. Os projetos com a DJ, que muitos aguardam, e cujas inflamadas performances atraem curiosos ao YouTube, estão adiados por enquanto, segundo Apparat. Eles seriam perfeitos para algum festival brasileiro que quer ter nomes de peso em sua seleção.
Ele está cansado da batida 4×4 – aquele conjunto de bpms que se repete de quatro em quatro vezes -, que, para Apparat, é o pressuposto para qualquer produção que deseja ser hit de um clube. ‘Muitos dizem que o minimal e muita coisa da música eletrônica são iguais. Em parte, é verdade, porque eu sinto falta de mais variedade nos clubes. O que se ouve são quase sempre variações da mesma produção. Só não quero mais fazer parte de tudo isso.’
E realmente as produções de Apparat estão fora das sonoridades de estilos mais consagrados e, embora se aproximem de uma atmosfera lounge, downtempo, suas faixas se tornaram quase um gênero, e pressuposto para muitas exclamações de ‘Isso é bem Apparat!’, que se ouve por aí. Para The Walls, Sascha não quis a interação de um set, com remixes e outras artimanhas que os DJs produtores utilizam para apenas jogar o álbum para o público. ‘Comecei a sentir que havia um abismo entre o álbum e o que eu tocava e decidi fazer esse projeto com a banda, que está me trazendo outro tipo de experiência com o público, mais indireta.’
Desde Duplex (2003), seu último álbum-solo antes de The Walls, ele não mais se pauta pelos efeitos proporcionados pela edição em computador. Not a Number começa com um violino melancólico e Hailing from The Edge ensaia um trip hop na voz de Raz Ohara, dinamarquês radicado em Berlim que também aposta no soul. O álbum está longe de uma produção para pista, com a diminuição de efeitos produzidos por sintetizadores e batidas não comerciais. Vai na contramão do beat que consagrou e ao mesmo tempo contribuiu para que os mais conservadores fizessem comentários depreciativos sobre a música eletrônica.
Sascha, que quis chegar o mais próximo do clássico processo de produção musical, cansou do laptop. ‘Sempre fui um nerd, estudo vários tipos de sonoridades e acredito que a interação com instrumentos dá uma idéia mais clara de pegar a melodia da música, e deixá-la menos exata. Também é um processo social, de gravação, de interação. Antes, era apenas eu e o computador.’
A preocupação com a melodia, no entanto, não afastou Apparat da música eletrônica. Apesar de achar que representantes da cena new rave abriram o campo da e-music para uma audiência maior, e que produtores como Timbaland fizeram grandes inovações na música, o DJ continua seguindo sua linha abstrata sem, segundo ele, colocar na música a responsabilidade de ‘determinar uma atitude ou impor uma identidade cultural por meio dela’.
No show, não vale nem procurar pela batida; tampouco por uma idéia preconcebida de banda. A mistura, que para Apparat não chega a tentar ampliar o público mais avesso ao trabalho do DJ, é para quem procura por algo novo de alguém que se auto-intitula ‘designer de som’, e cuja única regra é a desconstrução e o desejo de inovar.
Serviço. Motomix. Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, perto da Marquise. Dia 25 de novembro, a partir das 14h30. Grátis
Resenhas – Revista DJ MAG Agosto 7, 2007
Posted by Monique Oliveira in Revista DJ MAG Brasil.Tags: art brut, chemical brothers, cultura, música, resenha
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The Chemical Brothers
WE ARE THE NIGHT
EMI
Com lançamento oficial para o dia 2 de julho, We Are the Night, sexto álbum do The Chemical Brothers, chega com mudanças sutis. Mas o big beat, a mistura inteligente de house, funk e hip-hop que colocou Ed Simons e Tom Rowlands no posto de intelectuais do dance music, ainda reverbera por todas as faixas do disco. O álbum traz três músicas essencialmente dançantes: “Do it
Again”, “We Are The Night” e “Burst Generator”. Nesta última, aparece a sutileza de outras influências como o minimal e o electro. As tradicionais parcerias que trazem tanta diversidade à discografia do duo persistem. Em “All Rights Reversed”, a dupla chamou o Klaxons, representante da chamada new rave, deixando a faixa muito mais para o rock do que o eletrônico. Já “The Salmon Dance”, traz uma criativa levada de hip-hop em parceria com o rapper Fatlip.
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ART BRUT
It’s a Bit Complicated
DOWN TOWN
Depois de dois anos de lançamento de seu prim
eiro álbum, Bang Bang Rock’n'Roll, o quinteto britânico se aperfeiçoa no segundo com o mesmo rock cru e falado do vocalista Eddie Argos, mas um pouquinho mais de melodia. Tendo “Direct Hit” como principal candidata às pistas, It’s a Bit Complicated traz letras inteligentes com a mesma reflexão família-garotas-música. Entre os destaques, “Blame It on Trains” é uma ótima balada e “People in Love”, não só no nome, traz referência ao eterno amante de Emily Kane.
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Clube Glória reabre neste fim de semana Agosto 5, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estadao.com.br.Tags: alexandre hercovitch, glória, noite, variedades
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Após 3 meses fechado, Clube Glória reabre neste fim de semana
Casa tem 90 dias para instalar elevador para deficientes; clube funciona apenas com autorização
Monique Oliveira - estadao.com.br
SÃO PAULO - Sem alvará da Prefeitura para retornar suas atividades, o Clube Glória, localizado na Bela Vista, abre suas portas este final de semana.
Com programação normal, que inclui projeto Alelux!, em que discotecam os estilistas Alexandre Hercovitch e Jonnhy Luxo, a noite Jazzy, dedicada ao Hip e Hop, a casa, que tem tradição de abrigar eventos fashionistas como as festas do São Paulo Fashion Week, possui apenas autorização temporária.A novela, que começou depois que a Prefeitura achou uma foto de 1982 – com a fachada original do prédio – teve início há três meses, tempo em que o clube permaneceu fechado depois de mais de um ano de funcionamento.
A resolução da Prefeitura foi clara: restaurar a fachada do prédio com sua arquitetura original. Mas, segundo o co-proprietário do clube, André Hidalgo, a casa não deveria ser responsabilizada. “Essas alterações não foram feitas por nós, apenas reformamos o prédio”, explica.
Impasse
No entorno da Praça Dom Orioni, no bairro do Bexiga, onde todas as fachadas são tombadas como patrimônio histórico e na qual, todos os domingos, funciona uma feira de antiguidades, o clube inaugurou um novo espaço na noite paulistana em maio de 2006.
Antes disso, o local onde era sede de um grupo de teatro underground, o Teatro Igreja. Nesse meio tempo, a casa foi obrigada a instalar um acesso para quem tem dificuldade de locomoção (a entrada do clube é feita por –cansáveis- escadarias).
O que prevaleceu, foi o “bom senso”, segundo o sócio da casa. “Como não dava para permanecer com as configurações originais do prédio e, ao mesmo tempo, montar no clube um acesso para deficientes, a prefeitura optou pelo acesso”. “Temos 90 dias para instalar o elevador, que vai garantir a entrada. Ele está pago, só falta a instalação, que é feita sob medida”, completa.
Cena e noite
O Clube Glória atende a um público específico, em sua maioria GLS, com noites como “Chá com Bolachas” e “Bafôn Bafú”. Num clima mais lounge, sem seguir a linha “inferninho”, que prima pela “pegação”, o público “sentiu falta de um lugar, com um clima mais pop mais sossegado”, diz o sócio.
Quando foi interditado, o clube passou a realizar suas festas em um espaço alternativo, o Ocean Club, na Rua Nestor Pestana, que foi “uma maneira de fazer com que as festas do clube não perdessem o fôlego”, completa.
Clube Glória. Rua 13 de Maio, 830, Bela Vista. Informações: (11) 3287-3700. A partir das 23h59. Preço: R$ 20,00 a R$ 60,00. Possui guarda-volumes. Serviço de Vallet: R$ 12,00. Aceita cheque e todos os cartões de crédito. www.clubegloria.com.br
Resenha ‘We Are The Night” Junho 6, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: chemical brothers, cultura, música
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Se hoje existem produtores de música eletrônica merecedores do único rótulo digno dos grandes – o de inclassificável – eles são Tom Rowlands e Ed Simons, duo britânico que forma o The Chemical Brothers. Com lançamento oficial de We Are the Night, para o dia 2 de julho, eles continuam firmes no posto de pioneiros; não só pelo que já produziram, mas pela incorporação dos mais variados estilos que a dance music, com público mais amplo e não tão exigente, alcançou desde a formação do dueto em 1993.
E não é fácil manter a originalidade. Da famosa cena dance de Manchester, que começou com a formação do New Order e na qual o Chemical Brothers se inspirou junto com a leva de outras bandas dos anos 80 – The Smiths, Jesus and the Mary Jain, Cabaret Voltaire e My Bloody Valentine – , gêneros clássicos como o house e o tecno se tornaram prefixos para a formação dos mais diversos estilos com as variantes: minimal tecno, electro-house, tech-house…
O que o dueto absorveu de tudo isso? Muito. O sexto álbum é a prova de que o Chemical Brothers mudou. Do big beat, ou chemical beats – já dá para perceber a importância de Rowlands e Simons na batida – sobrou pouco. O som que traz o 4×4 do house com hip-hop e funk, e influenciou Prodigy e Fatboy Slim, ficou nos anos 90, mas o beat e a diversidade de instrumentos e sintetizadores dão unidade ao We Are the Night, que continua sendo Chemical Brothers, na melhor tradução de ‘tudo pode fazer sentido na pista desde que esteja atrelado à batida’.
(RE)EVOLUÇÃO
We Are the Night é uma mistura de estilos. Mas a síntese do que há de novo está concentrada em uma faixa: Burst Generator. Batidas esparsas, sem exatamente o minimal tecno que chegou a ser um prelúdio da morte do hard. O aumento e diminuição de bpms, com aquelas famosas aceleradas que fazem a pista explodir, no entanto, trazem o clássico do Chemical Brothers, presentes em faixas essencialmente dançantes como Hey Boy Hey Girl.
Há duas faixas-ambiente curtas, Harpoons e No Path to Follow. Esta última abre o disco e curiosamente traz uma versão lenta dos primeiros segundos de Batlle Scars, que vem com um vocal inebriante de Willy Manson, americano com raízes no folk. A faixa começa com um electro e lá pelos 3 minutos, vira uma crescente, acompanhada de piano, com uma batida que evoca certa melancolia.
Os anos 80 são representados por A Modern Midnight Conversation, que também vem com batidinhas de electro, e soa como um aviso que a noite está para começar. A faixa homônima do álbum, We Are the Night, traz uma versão mais acelerada de The Physcodelic Reel, do Dig Your Own Hole, de 1997, álbum que fez o Chemical Brother estourar. O que permanece também, como faixa-conceito de outros discos do duo, são produções leves como The Pills Won’t Help You Know, que encerra o álbum como uma provocação pós-ecstasy.
PARCERIAS E NEW RAVE
O single Do It again, escolhido para divulgação, traz o vocal de Ali Love, músico Londrino que aposta em um eletrônico instrumentalizado. A faixa já tem clipe e vem com um apelo pop-house, mas sem a chatice de uma também pop One more Time, do Daft Punk. Aliás, os clipes do Chemical Brothers são épicos: são famosos o clipe de Elektrobank, que tem Sofia Coppola como estrela, e a parceria com Michel Gondry, em Star Guitar e Let forever Be.
Outra linha-mestra do duo são as parcerias, que, na música All Rights Reversed, traz Klaxons -, representante dessa leva de novas bandas batizada de new rave, e que mistura de tudo, inclusive rock e eletrônico. A presença da banda é marcante na faixa, que destoa do álbum, com a divertida The Salmon Dance, em parceria com o rapper Fatlip, com electro e influências de hip hop.
A capa de Surrender (1999), já trazia a estética de colagem presente em álbuns de new rave, como a compilação francesa Kitsuné Maison, que lançou bandas do gênero. Já o We Are the Night, apostou na psicodelia: com duas mãos e um olho em cada palma, fincados em uma terra íngreme e estrelas conectadas uma a outra, a capa do disco parece reproduzir efeito de um alucinógeno, no melhor deste álbum do Chemical Brothers, que, sem exceções, não tem faixa para pular.
o
Cobertura Skol Beats Maio 11, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: cultura, música, simian mobile disco
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Simian Mobile Disco ganha com invenção e rock retrô
Com vocais reproduzidos por samples de house, o som do duo deu num groove que não deixou ninguém parado
Monique Oliveira
Apesar de entrar no Skol Live Stage com 1 hora de atraso, James Ford e James Shaw, a dupla que forma o Simian Mobile Disco, aliou música eletrônica inteligente com interação com o público. Os hits It’s the Beat e Hustler fizeram muitos fãs vibrarem, mas a diferença entre outras atrações era notável: a experiência do dueto como DJs fez com que os hits ficassem difusos em um set construído para manter a pista.
Simian Mobile utilizou remixes de suas próprias produções e, com isso, fez uma boa apresentação, sem a necessidade de fazer o público esperar por músicas mais conhecidas para se manifestar. Enquanto todo o set mantinha as pessoas vibrando com batidas de electro, minimal e ‘arranhadas’ do acid – aquele som que parece reproduzir a guitarra elétrica digitalmente -, vocais reproduzidos por samples de house despontavam em um groove que não deixou ninguém parado.
A visão, de quem olhava do alto, era animadora: mãos para cima, gritos e pulos embalavam a multidão de óculos escuros, preparada para a manhã que se aproximava. A mistura de batidas de minimal ao fundo com um rock retrô e samples de dance music fez a diferença do set construído pela dupla – que dançou e vibrou junto com o público do início ao fim.
Ao contrário dos alemães do M.A.N.D.Y, que se apresentaram na tenda The End, com um set-conceito em que as pequenas batidas se juntam àquela famosa parada que reproduz um ‘transe’ que parece trazer apenas uma nota, o set de Simian Mobile tinha complexidade e o melhor da utilização de samples de e-music – em uma difusão de sons que fica difícil perceber e separar as batidas.
Embora classificados na leva das chamadas bandas de ‘new rave’, em que a música eletrônica se torna um pano de fundo para vocais de apelo pop, James Ford e James Shaw conseguiram fazer uma apresentação em que a riqueza de harmonias se aliou na medida certa do groove para fazer o corpo mexer.
Cobertura Skol Beats Maio 10, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: cultura, música, miss kittin
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Miss Kittin vai no previsível, mas Cuban Brothers não
A francesa Miss Kittin, ou Caroline Hervé, lotou a tenda The End mais por sua popularidade e performance e menos por trazer novidades ao festival. Com hits antigos, como 1982, ela cantou com energia e fez a galera dançar. Mas faltou um motivo, além do groove, para sua presença no line-up.
Já o The Cuban Brothers, que ficou até de cueca no Live Stage, fez uma apresentação que foi além da mera performance. Com um hip-hop dançante, house e ritmos latinos, o grupo trouxe passos de break, com direito a ‘quebradinha’ sensual de quadril. Duelos de MCs, no estilo ‘pergunta-resposta’, em um passo seguido do outro, arrancaram risos do público.
Pelo horário, 23 horas, o espaço do Live Stage ainda estava vazio, mas o grupo conseguiu mostrar a que veio. Miguel Mantovani ainda fez remix do Radiohead, e cantou o hit I Wear Sunglasses at Night, do DJ Tiga, que esteve na edição passada no festival. Com um grande apelo visual, o coletivo Addictive TV, formado por Graham Daniels e Tolly, foi o maior exemplo de utilização de novas tecnologias e linguagens do festival.
No covil do Dj Mau Mau Maio 5, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estadao.com.br, Reportagem em vídeo - Estadão.com.br.Tags: cultura, DJ Mau Mau; vídeo, música
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