Cristovam Buarque critica PF e diz que presidente Lula é manipulador Abril 24, 2006
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MONIQUE OLIVEIRA
da Folha Online
O candidato do PDT à Presidência da República, Cristovam Buarque, rebateu neste sábado as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que classificou de “golpismo da oposição” as denúncias sobre a suposta compra de um dossiê pelo PT contra os tucanos.
“É uma manipulação do presidente, que está jogando em nós [da oposição] a tacha de golpistas. Eu sou contra golpes. Sou um legalista”, afirmou.
Cristovam aproveitou também para disparar ataques à Polícia Federal. Ele destacou a importância da divulgação do resultado da investigação antes do pleito.
“É com muita preocupação que eu vejo que a Polícia Federal, ao invés de colocar algemas nos bandidos que fizeram tudo isso, colocam a venda nos olhos do eleitor.”
Segundo o pedetista, o golpe estaria com o PT, que teria se utilizado das instituições públicas para obter vantagens partidárias. “Autoritarismo não é só fechar Congresso”, disse.
Cristovam repetiu também que a reeleição de Lula é um “risco para as instituições democráticas”. “A reeleição do presidente Lula, sobretudo no primeiro turno, pode representar um risco para as instituições democráticas. Ele vai usar o governo de forma manipuladora.”
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Candidatos driblam proibição a outdoor com cartazes nas casas de eleitores Abril 23, 2006
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MONIQUE OLIVEIRA
da Folha Online
Depois dos outdoors serem proibidos pela minirreforma eleitoral, a alternativa encontrada por comitês de partidos em São Paulo foi apelar para a “boa vontade” de trabalhadores e militantes de transformar a fachada de suas casas em “vitrine” política.
Silvio Pereira, 26, camelô, permitiu que um cartaz de Campos Machado (PTB) –candidato a deputado estadual– fosse pendurado na frente de sua residência. “Pediram pra colocar, como não incomodava, eu deixei.” Ele acrescenta que não vai votar no deputado: “não sei direito quem ele é.”
A co-responsável pelo comitê dos candidatos a deputados Robson Tuma (PFL), federal, e Campos Machado (PTB), estadual, na zona leste de São Paulo, Zenaide Pedroso, defende o processo: “Saímos com uma equipe de pesquisa, que faz perguntas sobre o que melhorar no bairro, e depois, perguntam se o entrevistado permite publicidade em sua residência.
A minirreforma impediu, por exemplo, realização de showmícios,
distribuição de brindes, camisetas e outdoors. Com a nova legislação,
qualquer publicidade para ser veiculada precisa da autorização por escrito do proprietário.
Cleide Martins, 33, desempregada, tem na frente de sua residência, no Alto da Lapa, uma faixa em apoio ao presidente do Conselho de Ética e candidato a deputado federal, Ricardo Izar (PTB).
Segundo ela, o cartaz foi trazido do trabalho por seu marido. “O patrão
dele pediu para que cada um dos empregados colocasse em frente de casa e assinasse a autorização.”
Procurado pela reportagem, a assessoria de Izar pediu para procurar o comitê de campanha, que não foi localizado.
Militância
O assistente social desempregado, Marcos Antônio de Mouro, 42, diz que pendurou a bandeira vermelha com a estrela do PT que tinha há seis anos, na frente de sua casa, na Alameda Ribeiro da Silva, no centro.
Sem ligação com o partido, decidiu espontaneamente declarar o seu apoio. “Eu sei de tudo o que aconteceu no governo, mas ainda tenho esperança.”
Já o empresário, Sidnei Sanches, 48, colocou um cartaz em apoio a sua
cunhada, a candidata a deputada federal pelo PSDC, Regina Cele, em seu estacionamento no centro. “A família inteira está apoiando, distribuindo panfletos, eu estou fazendo minha parte.”
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Desempregados ganham até R$ 500 para segurar placas para candidatos Abril 7, 2006
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MONIQUE OLIVEIRA
da Folha Online
Eles seguram bandeiras, estendem faixas, entregam santinhos e trabalham de segunda a segunda. O salário chega a R$ 500 por mês. Depois de proibida a distribuição de brindes, camisetas e outdoors, os “operários de campanhas” –os chamados homens-placa– são a principal alternativa dos comitês para “alavancar” candidaturas em São Paulo. O dinheiro, apesar de sazonal, ajuda no orçamento de quem está desempregado.
Para a estudante Núbia Aparecida, 18, o emprego veio na “hora certa”. Ela passa o dia na avenida Paulista segurando a bandeira do candidato a deputado federal Delfim Netto (PMDB). “Tem que trocar de mão toda hora porque cansa bastante”, diz.
Núbia recebe R$ 400 e já trabalhou com telemarketing, mas estava desempregada. “Tenho que aproveitar esses dois meses.”
Eraldo Antônio, militava para o PT, mas faz bico para candidato a deputado federal do PSDB. Já o técnico em manutenção, Eraldo Antônio, 52, é funcionário do comitê do candidato a deputado estadual Walter Feldman (PSDB) e ganha R$ 350 pelo serviço. “Aqui, não tem critérios, basta ser burro. Muitas vezes você é objeto de manipulação”.
Eraldo é de outra geração. Na década de 80, militava para o PT e PC do B. Agora, ele trabalha pela primeira vez em troca de dinheiro em campanhas. “Como estou sem serviço, seguro a bandeira do PSDB.”
Adriana Pereira, 26, ao contrário de Eraldo, “acha ótimo” trabalhar para o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Ela tem uma folga na semana, e, trazendo o almoço de casa, segundo ela, “dá pra tirar uns R$ 500″.
Adriana não via a hora de arrumar um “bico”. “Estava difícil. Cheguei até a beber água de arroz para não passar fome”. Agora, ela ajuda pessoas que estão na mesma situação. “Conheci uma menina na rua, arrumei um canto lá em casa, e ela também trabalha pro Alckmin no Farol.”
O casal Maria Aparecida dos Santos, 25, e Paulo Rogério Jesus, 20, desempregados, trabalham para o comitê do candidato a deputado estadual, Juan Ouchana (PSB). Ela entrega santinhos no farol e ele segura faixa do candidato na Avenida Brás Leme, em Santana. “Não pode amarrar a placa, se não leva multa”, diz Paulo. Pelo serviço, cada um recebe R$ 250 por seis horas de trabalho. “Já ajuda. Se não fosse isso, tava vendendo cocaína no morro”, afirma Maria.
Maria Gonçalves, 54, desempregada, distribui panfletos da candidata a deputada federal pelo PP, Adelina Alcantâra Machado na zona leste. Ela teve câncer há cinco anos e passou por uma cirurgia recentemente. “Eu usava bolsa coletora e tudo, agora, com os meus filhos todos casados, tenho que me virar.” Maria trabalha de segunda a segunda por R$ 300. “Ajuda um pouco”, diz.
O também desempregado Anderson da Costa, 20, entrega santinhos do candidato a deputado estadual, Celino Cardoso (PSDB). Ele diz que o trabalho é “difícil”. “A gente agradece porque eles estão dando essa oportunidade, mas não sei se vou votar, não sei o pensamento deles”. Para Anderson, alguns não entendem o trabalho. “É complicado porque as pessoas vêem com preconceito, mas eu não estou aqui representando o candidato, eu represento o trabalhador.”
Gastos
A assessoria de Walter Feldman informou que 40% dos recursos com a campanha vai para a folha de pagamento. Com 440 pessoas contratadas a R$ 350 de salário por mês, o comitê tem um custo de R$ 200 mil com empregados, sendo que R$ 50 mil vai para recolhimento do INSS.
Vânia Correia, assessora do deputado Celino, diz que o candidato tem cerca de 300 funcionários, com INSS recolhido. “É um contrato de trabalho comum”, afirma. A idéia, segundo a assessora, é gerar ainda mais empregos. “Até o fim da eleição podemos contratar mais 50 pessoas”. O grupo tem contrato de dois meses com um salário de R$ 350.
A responsável pelo comitê da candidata Adelina na zona leste, Janete Pedreira, coordena 16 funcionários com um custo de R$ 4.800. “As pessoas são simples, mas eu percebo muito potencial, independente da classe.” Segundo ela, a aceitação da candidata na periferia tem sido grande.
Já o candidato a deputado estadual Ouchana afirma “que tudo está sendo feito com registro e todos os que usam a camiseta, estão cadastrados”. Ouchana pretende contratar mais gente até o dia da eleição.
Com um gasto máximo previsto para campanha e declaração ao TRE-SP, de R$ 1 milhão, ele paga R$ 250 por mês para os empregados. O candidato explica a procedência dos recursos. “O dinheiro vem de amigos e parentes.”
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PSOL quer usar movimentos sociais para combater cláusula de barreira Abril 6, 2006
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MONIQUE OLIVEIRA
da Folha Online
Na luta contra a cláusula de barreira, o PSOL pretende fortalecer a legenda através de movimentos sociais e a militância do partido. Outra estratégia é apostar nas eleições municipais. Segundo deputados do PSOL, não há opção de fusão com outras legendas para aumentar a representatividade no Congresso.
Além do PSOL, o PPS, PV, PC do B, PSOL, PTB, PL, PSC, Prona e PTC não conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira. Essas legendas não terão direito a recursos do Fundo Partidário, além de perder o tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita na TV.
Para o deputado estadual João Batista Babá (PSOL-RJ), a estratégia do PSOL para combater a cláusula é “a organização da militância e o estabelecimento de pólos de atração de vanguarda nos movimentos estudantis.”
Segundo Babá, o PSOL irá “combater com vigor essa medida injusta [cláusula de barreira] e promover uma intermediação entre parlamentares [do PSOL] no Congresso e movimentos sociais para buscar mais representatividade.”
Já a deputada federal Maria José da Conceição Maninha (PSOL-DF) –que chegou a pedir a cassação do registro de candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)–, defende o enraizamento do partido nos movimentos sociais, mas não despreza o Congresso.
“É claro que o PSOL deve buscar raízes em todos os movimentos sociais, mas não deve desprezar a representação institucional.”
Para Maninha, uma maneira de fortalecer o partido serão as eleições para prefeitos e vereadores. “Vamos nos preparar para as eleições municipais e para a candidatura de Heloísa Helena em 2010.”
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Sem boca-de-urna, candidatos espalham santinhos em frente a seções eleitorais Abril 1, 2006
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MONIQUE OLIVEIRA
da Folha Online
Apesar de proibida boca-de-urna em frente a todas as seções eleitorais do país, muitos eleitores encontraram neste domingo santinhos de candidatos e a famosa “cola pronta” espalhados em vários locais de votação em São Paulo.
Na zona leste, a Escola Estadual Sérgio da Silva Nobreza exibia já na esquina panfletos da candidata a deputada federal pelo PSB, Luiza Erundina. Já na zona sul, em frente ao Colégio Arquidiocesano, a “cola pronta” era dos candidatos a deputado Jooji Hato (estadual), do PMDB, e Arnaldo Faria de Sá (federal), do PTB.
Na escola municipal Ângelo Martino, no centro, os santinhos faziam os eleitores tropeçarem. Entre os vários espalhados no chão estavam os dos candidatos a deputado federal José Aristodemo Pinotti (PFL) e José Eduardo Cardozo (PT).
Segundo a assessoria do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo, a prática de espalhar panfletos no chão pode ser considerada boca-de-urna, mas, como não se sabe como esse material foi colocado nas seções eleitorais, não se pode fazer muito a respeito.
A lei que proíbe boca-de-urna é de 1998 e prevê de um ano a seis meses de detenção, além de pagamento de multa mínima de R$ 5.320 para quem cometer a infração e for pego em flagrante.
Nestas eleições, candidatos tiveram suas campanhas dificultadas com a minirreforma eleitoral –sancionada em maio– que proibiu a utilização de outdoor, bem como de propaganda fixa, além de distribuição de brindes e camisetas.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permitiu, no entanto, o uso de camisetas e bonés de partidos por eleitores nos locais de votação.
Prisões
Em São Paulo, a Polícia Civil registrou até as 19h00 deste domingo 54 prisões em flagrante por boca-de-urna. Desse número, 10 na capital, 23 no interior, 7 na grande São Paulo e 14 no litoral.
Também foram registrados 38 boletins de ocorrência — não houve prisão, apenas recolhimento de material de propaganda. Desse número, 2 na capital, 11 na grande São Paulo, 19 no interior e 6 no litoral.
A Polícia Civil também fez uma prisão em flagrante, na capital, de um eleitor votando no lugar de outro. No município de Itatiba (84 km a norte de São Paulo), duas pessoas foram presas por compra de votos.
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Na reta final, Heloísa Helena ataca Lula e Alckmin Abril 1, 2006
Posted by Monique Oliveira in Folha Online - Brasil.Tags: Heloísa Helena, política, PSOL
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MONIQUE OLIVEIRA
da Folha Online
Com apenas uma semana para as eleições, a candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, aproveitou para atacar tucanos e petistas em comício realizado neste sábado, debaixo de chuva, no centro de Guarulhos (15 km a norte de SP).
Para ela, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, representam a “mesma moeda podre, cínica e delinqüente do país.”
“Eu espero que o povo reconheça que a nossa candidatura [do PSOL] seja a superação dos dois lados podres representados pelas candidaturas do PT e do PSDB”, afirmou.
Segundo Heloísa, Lula e Alckmin “patrocinam a roubalheira dos cofres públicos e o parasitismo da máquina pública” com a montagem de “gangues partidárias.”
A candidata do PSOL também combateu o modelo de governo que, de acordo com ela, é representado pelas duas legendas. “Felizmente, há aqueles que não perderam a vergonha e querem superar a farsa técnica e política que é o projeto neoliberal”, disse.
“Golpismo da Oposição”
Heloísa Helena rebateu ainda críticas do presidente Lula de que haveria um clima de “golpismo da oposição” nas denúncias de suposta compra de dossiê contra tucanos pelo PT.
“Eu acho que quem está golpeando a democracia brasileira é o presidente. Ele que precisa explicar a origem de tanto dinheiro. Qualquer pessoa pobre que fosse achada com alguns reais iria apanhar em uma penitenciária.”
A própria candidata, no entanto, supôs a procedência de “tanto dinheiro em espécie” encontrado com “pessoas ligadas ao PT.”
“Ou vem do narcotráfico, ou do crime organizado, ou dos cofres públicos, que podem liberar dinheiro sob a intermediação de alguma entidade, ou do caixa dois, via alguma empresa.”
Disputa
Ainda otimista com a possibilidade de disputar o segundo turno, a candidata do PSOL repetiu em comício a mesma mensagem de sua propaganda eleitoral na TV. “Vamos conseguir mais dois votos e chegar ao segundo turno.”
Heloísa ainda brincou com militantes e disse que se conseguisse cinco votos, a eleição iria ficar “sem graça”. “Temos que enfrentar a majestade barbuda [presidente Lula].”
Sobre sua campanha nos últimos dias que antecedem o pleito, ela foi categórica. “Vou continuar trabalhando muito para chegar até o final”, afirmou.
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