Estrella ‘defende’ drogas em artigo Fevereiro 5, 2008
Posted by Monique Oliveira in Rraurl.Tags: cinema, cultura, Meu nome não é Johnny
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Estrella ‘defende’ consumidores de drogas em artigo
O verdadeiro Johnny do filme coloca usuários como o menor dos problemas e derruba argumento de que classe média sustenta o tráfico
23.01.08 17:40
Quem viu ‘Tropa de Elite’ pode ter mudado seus conceitos sobre o BOPE. De personagens esféricos, como Capitão Nascimento, retratado com extraordinária complexidade psicológica, nasceu a compreensão humana, mesmo que injustificável, de uma autoridade desmedida. O mesmo não aconteceu, no entanto, com os universitários, que, ávidos por qualquer tóxico que os eleve a uma supra-realidade, atropelam qualquer princípio.
Intencionalmente ou não, Meu Nome Não é Johnny tem sido apontado como uma resposta à questão, reducionista, de que a classe média sustenta a violência gerada pelo tráfico. Inspirado na história do hoje produtor musical João Guilherme Estrella, que negociou cocaína no Brasil e no exterior entre 1989 e 1995 – quando foi preso -, o filme desmistifica a atuação da classe média, e a coloca como protagonista do sistema de entorpecentes.
PURA FESTA
Mas não é só isso. O filme tem gerado debates. Na Folha de S. Paulo de hoje (23/01), Estrella escreveu um artigo em que explicita a questão; de forma clara, sem medo de polemizar. Mesmo fazendo um jogo dúbio em que ora coloca a elite como alienada de qualquer realidade social diferente da dela; ora ressaltando a ‘inocência’ do consumo, o ex-dealer ressalta a ignorância que é insistir nessa mea culpa.
“Só quem não sabe nada de criminalidade pode achar que apontar a classe média consumidora de drogas como responsável pela violência nos centros urbanos vai ajudar em alguma coisa”. E continua: “Alguém tem alguma dúvida de que os jovens não estão nem aí para essa culpa? Eu negociei com muita gente da elite. É pura festa, meu amigo, pura festa.”
Apesar de apontar que a “a sociedade como um todo tem responsabilidade”, o produtor faz uma diferença entre ‘mais’ e ‘menos’ culpados. Os ‘mais culpados’ seriam a elite, que como representante de tipos sociais e servidores – cegos – de uma classe corrompida, resguarda suas abstrações teóricas para servir de embasamento à realidade sempre protegida pelo capital.
De outro lado, ele indica os ‘menos culpados’. “O jovem pobre e criminoso também não está preocupado com isso [a violência gerada pelo tráfico] – e tem lá os seus motivos. Ele faz parte de uma parcela da população que, além de ser massacrada pela miséria, ainda é esculachada pela polícia, enganada por políticos e jogada na marginalidade mesmo quando não é bandida.”
PROBLEMAS MENORES?
Afora a aparente contradição do artigo – justa até pela complexidade que o assunto pede-, a ‘defesa’ classista aparece quando Estrella esquece o relativismo, o recalque e alfineta o pensamento que, com o argumento da violência, apenas camufla o conservadorismo:
“Sinceramente? A cocaína e o ecstasy são problemas sim, mas não são os mais graves que temos neste país” (…) “A bem da verdade, quem dera nossos maiores problemas fossem o ecstasy que a rapaziada toma nas festas e que estão na mídia o tempo todo.”
Com todos na procura de bodes expiatórios, podemos colocar aí também que culpa é dos políticos, os clichês de que falta educação no Brasil, que a propaganda incentiva o consumo, que a pós-modernidade pede paliativos… e aí a gente dá um giro de 360º em um debate cego, em que poucos, como Estrella, realmente se comprometem.
Monique Oliveira (moniquemails @ gmail.com)
Jornalista metida a socióloga, ela aposta na fluoxetina auditiva na noite; mas não foge de ruídos dissonantes quando o sol tilinta
Folha de S. Paulo – Crise BRA Fevereiro 5, 2008
Posted by Monique Oliveira in Folha de S. Paulo - Dinheiro.Tags: crise BRA, economia
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Passageiros ficam sem informação e não obtêm acordo em Congonhas
MONIQUE OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Desempregada, a dona-de-casa Elisandra Andréia da Silva, 33, planejava reencontrar o filho que tinha ido morar em Natal com o pai. Com passagem da BRA marcada para o dia 28, ela tentava ontem conseguir reembolso do dinheiro na loja da empresa no aeroporto de Congonhas.
“Me disseram que eu tenho que esperar até 30 dias, mas não tenho dinheiro hoje para comprar outra passagem.”
Assim como Elisandra, estar longe da família era o drama do aposentado Antônio Gomes da Silva, 62. Ele planejava visitar a irmã na Bahia e, quando soube do cancelamento dos vôos, foi ao Procon se informar. “Estou com todo tipo de papel aqui para receber meu dinheiro de volta.”
Para quem quer reclamar na Justiça, no entanto, o Juizado Especial Cível em Congonhas suspendeu os acordos feitos até quarta-feira para o embarque em outras companhias aéreas.
O motivo, segundo Márcia Negretti, diretora do juizado, é a falta de um posto da BRA que representasse a empresa para intermediar o acordo com os consumidores.
Até as 16h de ontem, o juizado registrou 17 reclamações sem acordo e apenas uma resolvida com o embarque do passageiro.
Nos balcões de check-in da TAM, Gol, e Varig em Congonhas, a informação dos funcionários era que os passageiros da BRA conseguiam embarcar sem problemas. Para a comerciante Danúbia Menezes, 37, que tentava trocar seu bilhete na Gol, não há facilidades.
“Eu fiquei na quarta-feira aqui esperando uma informação, disseram que iam trocar meu bilhete e hoje não podem mais.” Ela, que voltou para a loja da BRA, diz ter ouvido de uma das funcionárias da empresa um desabafo: “Ontem te disseram que iam trocar seu bilhete, eu também tinha um emprego ontem e não tenho mais”.
Caderno 2 – Entrevista Apparat Fevereiro 5, 2008
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: apparat, cultura, música
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Apparat e a eletrônica intimista
Produtor alemão cansou do laptop e traz banda para show dia 25, no Ibirapuera
Monique Oliveira
Com uma estrutura de banda, o DJ e produtor alemão Sascha Ring, ou Apparat – nome que significa aparato em alemão, mas ao qual o produtor evita dar qualquer significado mais conceitual – é a principal atração do Motomix para os apreciadores de música eletrônica. Ele se apresenta no dia 25, domingo, e de graça no Parque do Ibirapuera. O DJ (que também é conhecido pela polêmica frase ’sou um desenvolvedor de sons, não de batidas’) traz faixas do recém-lançado The Walls, álbum intimista e melódico – como as suas últimas produções.
Em entrevista por telefone, de Berlim, Sascha explica que, apesar de ser a cidade onde se tornou conhecido, ele não compartilha do mesmo gosto musical reinante por lá. ‘Nunca me senti um alemão, só não me pergunte de onde eu venho.’ Segundo ele, seu som é muito pouco requisitado para os clubes de lá. ‘A noite berlinense aposta em sonoridades pesadas. E não é meu tipo de som.’ Na Alemanha, o minimal representou apenas um modismo, e o trance, tão popular nas raves brasileiras, nem chega perto dos line ups. De inspiração para o mundo inteiro, o país é a Meca da música eletrônica. Galpões vazios, após a queda do Muro, fizeram com que conceber um clube ficasse simples e barato. Aliado à cena de Detroit, o país se tornou o mais prolífico de selos e produtores da e-music.
Sascha foi na leva daqueles que aproveitaram o boom do tecno no início dos anos 90 e, desde 1999, é um dos donos do selo Shitkatapult. Da sua proveitosa parceria com Ellen Alien, que tocou no D-Edge em março deste ano, nasceu o Orchestra of Bubles (2006), álbum ovacionado pela crítica no mundo inteiro. Os projetos com a DJ, que muitos aguardam, e cujas inflamadas performances atraem curiosos ao YouTube, estão adiados por enquanto, segundo Apparat. Eles seriam perfeitos para algum festival brasileiro que quer ter nomes de peso em sua seleção.
Ele está cansado da batida 4×4 – aquele conjunto de bpms que se repete de quatro em quatro vezes -, que, para Apparat, é o pressuposto para qualquer produção que deseja ser hit de um clube. ‘Muitos dizem que o minimal e muita coisa da música eletrônica são iguais. Em parte, é verdade, porque eu sinto falta de mais variedade nos clubes. O que se ouve são quase sempre variações da mesma produção. Só não quero mais fazer parte de tudo isso.’
E realmente as produções de Apparat estão fora das sonoridades de estilos mais consagrados e, embora se aproximem de uma atmosfera lounge, downtempo, suas faixas se tornaram quase um gênero, e pressuposto para muitas exclamações de ‘Isso é bem Apparat!’, que se ouve por aí. Para The Walls, Sascha não quis a interação de um set, com remixes e outras artimanhas que os DJs produtores utilizam para apenas jogar o álbum para o público. ‘Comecei a sentir que havia um abismo entre o álbum e o que eu tocava e decidi fazer esse projeto com a banda, que está me trazendo outro tipo de experiência com o público, mais indireta.’
Desde Duplex (2003), seu último álbum-solo antes de The Walls, ele não mais se pauta pelos efeitos proporcionados pela edição em computador. Not a Number começa com um violino melancólico e Hailing from The Edge ensaia um trip hop na voz de Raz Ohara, dinamarquês radicado em Berlim que também aposta no soul. O álbum está longe de uma produção para pista, com a diminuição de efeitos produzidos por sintetizadores e batidas não comerciais. Vai na contramão do beat que consagrou e ao mesmo tempo contribuiu para que os mais conservadores fizessem comentários depreciativos sobre a música eletrônica.
Sascha, que quis chegar o mais próximo do clássico processo de produção musical, cansou do laptop. ‘Sempre fui um nerd, estudo vários tipos de sonoridades e acredito que a interação com instrumentos dá uma idéia mais clara de pegar a melodia da música, e deixá-la menos exata. Também é um processo social, de gravação, de interação. Antes, era apenas eu e o computador.’
A preocupação com a melodia, no entanto, não afastou Apparat da música eletrônica. Apesar de achar que representantes da cena new rave abriram o campo da e-music para uma audiência maior, e que produtores como Timbaland fizeram grandes inovações na música, o DJ continua seguindo sua linha abstrata sem, segundo ele, colocar na música a responsabilidade de ‘determinar uma atitude ou impor uma identidade cultural por meio dela’.
No show, não vale nem procurar pela batida; tampouco por uma idéia preconcebida de banda. A mistura, que para Apparat não chega a tentar ampliar o público mais avesso ao trabalho do DJ, é para quem procura por algo novo de alguém que se auto-intitula ‘designer de som’, e cuja única regra é a desconstrução e o desejo de inovar.
Serviço. Motomix. Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, perto da Marquise. Dia 25 de novembro, a partir das 14h30. Grátis
