Resenha NIN – Ghosts I-IV / The Slip agosto 12, 2008
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NIN – Ghosts I-IV / The Slip
Foi o bastante: eu já tinha o prelúdio do que seriam as obviedades de toda arte que se quer politizada, acompanhadas por uma pira sonora e soturna que, se expressadas textualmente, desmentiria a sentença anterior. Michael Trent Reznor seria o último dos meus leadsingers, o único herói que não morrera de overdose e, acometido da síndrome dualista da contracultura, resolvera apostar como Bono que outro mundo era possível.
Só que não soou otimista. Da estética monster, desconstruída do punk, veio o rock industrial herdado de contradições simplórias, mas não menos idealizadas, de lutas de classes pré-capitalistas. Junto, trouxe o ceticismo pós-moderno. E NIN virou a síntese da complexidade de composições que superaram o marxismo; politizadas, mas individualistas. Quase um rasgo social, quase um prenúncio da sociopatia.
Mas surgiu o mundo Last.fm. Fez-se a tag. E depois de superar a fase starfuckers (veja box), Reznor aprendeu. Libertou-se das grandes gravadoras e The Slip, que atesta sua alcunha industrial synthpop desde Pretty Hate Machine (1989), chegou. O álbum que faz o Madame parecer futurista e hoje transforma a Torre num tributo ao passado veio, com suas dez faixas no Creative Commons, despreendido no MySpace e Torrents da vida. Versões físicas em CD e vinil estão previstas para julho.
A velocidade chegou a 1GB, junto com individualismo. Experimentações do-it-yourself aliadas com alguma inteligência, fez também o Ghosts I-IV, lançado em março desse ano. Uma piração instrumental, com 36 faixas e duas horas de pura catarse, que chega lembrar a frenética trilha de Twin Peaks (David Lynch; 1991), criada pelo compositor Angelo Badalamenti, com sintetizadores barulhentos que acompanhavam a investigação quebra-cabeça de quem teria matado Laura Palmer.
É um substrato impressionante pra remixes, que não tardarão a chegar. “Trilha para dias de sonho, baseadas em uma perspectiva audiovisual”, como apresentou o próprio Reznor. Mas Ghosts também não é nada a mais do que já não fora assinalado antes, em canções como “The Frail” e “The Wretched” (The Fragile; 1999). Pra quem viu a virada das duas no DVD de “All Could Have Been”, lançado em 2002, não deixaria nenhum espectro falar que é novidade de 2008. Tão soturno, barulhento e noir como sempre foi o Nine Inch Nails.
Sem anúncio de que seriam lançadas, as faixas do Ghosts I-IV foram surgindo aos mais atentos no maispece. Mas algo totalmente esperado, no entanto, a não ser o fato de que Reznor nomeou bem dessa vez e criou forma, estética, e distribuição fácil de serem tachadas como experimental. Esses dois álbuns foram lançados pela The Null Corporation, selo criado para fugir das majors e para cuidar do canal da banda no YouTube, e que, fugindo dos moldes tradicionais, distruibui subcontratos para outras gravadoras. A idéia de um selo “lançando” esses trabalhos soa até um pouco estranha, ainda mais com a banda licenciando esses trabalhos pela democrática Creative Commons. Ouça no simpático player abaixo – devidamente fornecido pela banda em si – as faixas de Ghosts I-IV.
THE SLIP: De volta ao espectro do existencialismo
O disco já começa com um binário sombrio-frenético, nos 10s de “999,999″ para a pesada “1,000,000″. Mas é em “Discipline” que está a aposta de um novo single, candidata pra pistas, dançante, ao gosto do hit “Closer” (1994). Sem ser libidinosa nem SM, mas levada por uma bateriazinha – que lembra o famigerado refrão “I wanna fuck you like an animal” -, e aliada a uma vontade de responder passivamente um “you can”. “Discipline” questiona relações, bem NIN, niilista – diferente do que foi o antibush Year Zero (2005).
“Echoplex” segue numa baladinha. Com “Head Down” e “Demon Seed” dando um show de distorções até “Lights in the Sky”, com piano, harmonia atonal, e um Reznor entoando um sussurro melancólico. Em “Corona Radiata”, voltamos pro Ghosts e a reprodução de um ambiente planetário, no melhor de música de fone para olhar paisagem.
The Slip atesta as variações pesadas, leves e experimentais em um álbum que não tem necessariamente um conceito. Longe do que foi o seu predecessor experimental, Ghosts – que, apesar de custar US$ 300 em sua edição de luxo e soar muitas vezes um pedaço de cada música do NIN já lançada – tem uma forma, e abre, tanto no seu lançamento quanto em sua experimentação musical, outras perspectivas para a banda e a indústria fonográfica, atualmente em fase de mutação.
The Slip: 4.0
Ghosts I-IV: 4.8
Estrella ‘defende’ drogas em artigo fevereiro 5, 2008
Posted by Monique Oliveira in Rraurl.Tags: cinema, cultura, Meu nome não é Johnny
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Estrella ‘defende’ consumidores de drogas em artigo
O verdadeiro Johnny do filme coloca usuários como o menor dos problemas e derruba argumento de que classe média sustenta o tráfico
23.01.08 17:40
Quem viu ‘Tropa de Elite’ pode ter mudado seus conceitos sobre o BOPE. De personagens esféricos, como Capitão Nascimento, retratado com extraordinária complexidade psicológica, nasceu a compreensão humana, mesmo que injustificável, de uma autoridade desmedida. O mesmo não aconteceu, no entanto, com os universitários, que, ávidos por qualquer tóxico que os eleve a uma supra-realidade, atropelam qualquer princípio.
Intencionalmente ou não, Meu Nome Não é Johnny tem sido apontado como uma resposta à questão, reducionista, de que a classe média sustenta a violência gerada pelo tráfico. Inspirado na história do hoje produtor musical João Guilherme Estrella, que negociou cocaína no Brasil e no exterior entre 1989 e 1995 – quando foi preso -, o filme desmistifica a atuação da classe média, e a coloca como protagonista do sistema de entorpecentes.
PURA FESTA
Mas não é só isso. O filme tem gerado debates. Na Folha de S. Paulo de hoje (23/01), Estrella escreveu um artigo em que explicita a questão; de forma clara, sem medo de polemizar. Mesmo fazendo um jogo dúbio em que ora coloca a elite como alienada de qualquer realidade social diferente da dela; ora ressaltando a ‘inocência’ do consumo, o ex-dealer ressalta a ignorância que é insistir nessa mea culpa.
“Só quem não sabe nada de criminalidade pode achar que apontar a classe média consumidora de drogas como responsável pela violência nos centros urbanos vai ajudar em alguma coisa”. E continua: “Alguém tem alguma dúvida de que os jovens não estão nem aí para essa culpa? Eu negociei com muita gente da elite. É pura festa, meu amigo, pura festa.”
Apesar de apontar que a “a sociedade como um todo tem responsabilidade”, o produtor faz uma diferença entre ‘mais’ e ‘menos’ culpados. Os ‘mais culpados’ seriam a elite, que como representante de tipos sociais e servidores – cegos – de uma classe corrompida, resguarda suas abstrações teóricas para servir de embasamento à realidade sempre protegida pelo capital.
De outro lado, ele indica os ‘menos culpados’. “O jovem pobre e criminoso também não está preocupado com isso [a violência gerada pelo tráfico] – e tem lá os seus motivos. Ele faz parte de uma parcela da população que, além de ser massacrada pela miséria, ainda é esculachada pela polícia, enganada por políticos e jogada na marginalidade mesmo quando não é bandida.”
PROBLEMAS MENORES?
Afora a aparente contradição do artigo – justa até pela complexidade que o assunto pede-, a ‘defesa’ classista aparece quando Estrella esquece o relativismo, o recalque e alfineta o pensamento que, com o argumento da violência, apenas camufla o conservadorismo:
“Sinceramente? A cocaína e o ecstasy são problemas sim, mas não são os mais graves que temos neste país” (…) “A bem da verdade, quem dera nossos maiores problemas fossem o ecstasy que a rapaziada toma nas festas e que estão na mídia o tempo todo.”
Com todos na procura de bodes expiatórios, podemos colocar aí também que culpa é dos políticos, os clichês de que falta educação no Brasil, que a propaganda incentiva o consumo, que a pós-modernidade pede paliativos… e aí a gente dá um giro de 360º em um debate cego, em que poucos, como Estrella, realmente se comprometem.
Monique Oliveira (moniquemails @ gmail.com)
Jornalista metida a socióloga, ela aposta na fluoxetina auditiva na noite; mas não foge de ruídos dissonantes quando o sol tilinta
Caderno 2 – Entrevista Apparat fevereiro 5, 2008
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: apparat, cultura, música
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Apparat e a eletrônica intimista
Produtor alemão cansou do laptop e traz banda para show dia 25, no Ibirapuera
Monique Oliveira
Com uma estrutura de banda, o DJ e produtor alemão Sascha Ring, ou Apparat – nome que significa aparato em alemão, mas ao qual o produtor evita dar qualquer significado mais conceitual – é a principal atração do Motomix para os apreciadores de música eletrônica. Ele se apresenta no dia 25, domingo, e de graça no Parque do Ibirapuera. O DJ (que também é conhecido pela polêmica frase ‘sou um desenvolvedor de sons, não de batidas’) traz faixas do recém-lançado The Walls, álbum intimista e melódico – como as suas últimas produções.
Em entrevista por telefone, de Berlim, Sascha explica que, apesar de ser a cidade onde se tornou conhecido, ele não compartilha do mesmo gosto musical reinante por lá. ‘Nunca me senti um alemão, só não me pergunte de onde eu venho.’ Segundo ele, seu som é muito pouco requisitado para os clubes de lá. ‘A noite berlinense aposta em sonoridades pesadas. E não é meu tipo de som.’ Na Alemanha, o minimal representou apenas um modismo, e o trance, tão popular nas raves brasileiras, nem chega perto dos line ups. De inspiração para o mundo inteiro, o país é a Meca da música eletrônica. Galpões vazios, após a queda do Muro, fizeram com que conceber um clube ficasse simples e barato. Aliado à cena de Detroit, o país se tornou o mais prolífico de selos e produtores da e-music.
Sascha foi na leva daqueles que aproveitaram o boom do tecno no início dos anos 90 e, desde 1999, é um dos donos do selo Shitkatapult. Da sua proveitosa parceria com Ellen Alien, que tocou no D-Edge em março deste ano, nasceu o Orchestra of Bubles (2006), álbum ovacionado pela crítica no mundo inteiro. Os projetos com a DJ, que muitos aguardam, e cujas inflamadas performances atraem curiosos ao YouTube, estão adiados por enquanto, segundo Apparat. Eles seriam perfeitos para algum festival brasileiro que quer ter nomes de peso em sua seleção.
Ele está cansado da batida 4×4 – aquele conjunto de bpms que se repete de quatro em quatro vezes -, que, para Apparat, é o pressuposto para qualquer produção que deseja ser hit de um clube. ‘Muitos dizem que o minimal e muita coisa da música eletrônica são iguais. Em parte, é verdade, porque eu sinto falta de mais variedade nos clubes. O que se ouve são quase sempre variações da mesma produção. Só não quero mais fazer parte de tudo isso.’
E realmente as produções de Apparat estão fora das sonoridades de estilos mais consagrados e, embora se aproximem de uma atmosfera lounge, downtempo, suas faixas se tornaram quase um gênero, e pressuposto para muitas exclamações de ‘Isso é bem Apparat!’, que se ouve por aí. Para The Walls, Sascha não quis a interação de um set, com remixes e outras artimanhas que os DJs produtores utilizam para apenas jogar o álbum para o público. ‘Comecei a sentir que havia um abismo entre o álbum e o que eu tocava e decidi fazer esse projeto com a banda, que está me trazendo outro tipo de experiência com o público, mais indireta.’
Desde Duplex (2003), seu último álbum-solo antes de The Walls, ele não mais se pauta pelos efeitos proporcionados pela edição em computador. Not a Number começa com um violino melancólico e Hailing from The Edge ensaia um trip hop na voz de Raz Ohara, dinamarquês radicado em Berlim que também aposta no soul. O álbum está longe de uma produção para pista, com a diminuição de efeitos produzidos por sintetizadores e batidas não comerciais. Vai na contramão do beat que consagrou e ao mesmo tempo contribuiu para que os mais conservadores fizessem comentários depreciativos sobre a música eletrônica.
Sascha, que quis chegar o mais próximo do clássico processo de produção musical, cansou do laptop. ‘Sempre fui um nerd, estudo vários tipos de sonoridades e acredito que a interação com instrumentos dá uma idéia mais clara de pegar a melodia da música, e deixá-la menos exata. Também é um processo social, de gravação, de interação. Antes, era apenas eu e o computador.’
A preocupação com a melodia, no entanto, não afastou Apparat da música eletrônica. Apesar de achar que representantes da cena new rave abriram o campo da e-music para uma audiência maior, e que produtores como Timbaland fizeram grandes inovações na música, o DJ continua seguindo sua linha abstrata sem, segundo ele, colocar na música a responsabilidade de ‘determinar uma atitude ou impor uma identidade cultural por meio dela’.
No show, não vale nem procurar pela batida; tampouco por uma idéia preconcebida de banda. A mistura, que para Apparat não chega a tentar ampliar o público mais avesso ao trabalho do DJ, é para quem procura por algo novo de alguém que se auto-intitula ‘designer de som’, e cuja única regra é a desconstrução e o desejo de inovar.
Serviço. Motomix. Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, perto da Marquise. Dia 25 de novembro, a partir das 14h30. Grátis
Resenhas – Revista DJ MAG agosto 7, 2007
Posted by Monique Oliveira in Revista DJ MAG Brasil.Tags: art brut, chemical brothers, cultura, música, resenha
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The Chemical Brothers
WE ARE THE NIGHT
EMI
Com lançamento oficial para o dia 2 de julho, We Are the Night, sexto álbum do The Chemical Brothers, chega com mudanças sutis. Mas o big beat, a mistura inteligente de house, funk e hip-hop que colocou Ed Simons e Tom Rowlands no posto de intelectuais do dance music, ainda reverbera por todas as faixas do disco. O álbum traz três músicas essencialmente dançantes: “Do it
Again”, “We Are The Night” e “Burst Generator”. Nesta última, aparece a sutileza de outras influências como o minimal e o electro. As tradicionais parcerias que trazem tanta diversidade à discografia do duo persistem. Em “All Rights Reversed”, a dupla chamou o Klaxons, representante da chamada new rave, deixando a faixa muito mais para o rock do que o eletrônico. Já “The Salmon Dance”, traz uma criativa levada de hip-hop em parceria com o rapper Fatlip.
MONIQUE OLIVEIRA ![]()
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ART BRUT
It’s a Bit Complicated
DOWN TOWN
Depois de dois anos de lançamento de seu prim
eiro álbum, Bang Bang Rock’n'Roll, o quinteto britânico se aperfeiçoa no segundo com o mesmo rock cru e falado do vocalista Eddie Argos, mas um pouquinho mais de melodia. Tendo “Direct Hit” como principal candidata às pistas, It’s a Bit Complicated traz letras inteligentes com a mesma reflexão família-garotas-música. Entre os destaques, “Blame It on Trains” é uma ótima balada e “People in Love”, não só no nome, traz referência ao eterno amante de Emily Kane.
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Resenha ‘We Are The Night” junho 6, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: chemical brothers, cultura, música
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Se hoje existem produtores de música eletrônica merecedores do único rótulo digno dos grandes – o de inclassificável – eles são Tom Rowlands e Ed Simons, duo britânico que forma o The Chemical Brothers. Com lançamento oficial de We Are the Night, para o dia 2 de julho, eles continuam firmes no posto de pioneiros; não só pelo que já produziram, mas pela incorporação dos mais variados estilos que a dance music, com público mais amplo e não tão exigente, alcançou desde a formação do dueto em 1993.
E não é fácil manter a originalidade. Da famosa cena dance de Manchester, que começou com a formação do New Order e na qual o Chemical Brothers se inspirou junto com a leva de outras bandas dos anos 80 – The Smiths, Jesus and the Mary Jain, Cabaret Voltaire e My Bloody Valentine – , gêneros clássicos como o house e o tecno se tornaram prefixos para a formação dos mais diversos estilos com as variantes: minimal tecno, electro-house, tech-house…
O que o dueto absorveu de tudo isso? Muito. O sexto álbum é a prova de que o Chemical Brothers mudou. Do big beat, ou chemical beats – já dá para perceber a importância de Rowlands e Simons na batida – sobrou pouco. O som que traz o 4×4 do house com hip-hop e funk, e influenciou Prodigy e Fatboy Slim, ficou nos anos 90, mas o beat e a diversidade de instrumentos e sintetizadores dão unidade ao We Are the Night, que continua sendo Chemical Brothers, na melhor tradução de ‘tudo pode fazer sentido na pista desde que esteja atrelado à batida’.
(RE)EVOLUÇÃO
We Are the Night é uma mistura de estilos. Mas a síntese do que há de novo está concentrada em uma faixa: Burst Generator. Batidas esparsas, sem exatamente o minimal tecno que chegou a ser um prelúdio da morte do hard. O aumento e diminuição de bpms, com aquelas famosas aceleradas que fazem a pista explodir, no entanto, trazem o clássico do Chemical Brothers, presentes em faixas essencialmente dançantes como Hey Boy Hey Girl.
Há duas faixas-ambiente curtas, Harpoons e No Path to Follow. Esta última abre o disco e curiosamente traz uma versão lenta dos primeiros segundos de Batlle Scars, que vem com um vocal inebriante de Willy Manson, americano com raízes no folk. A faixa começa com um electro e lá pelos 3 minutos, vira uma crescente, acompanhada de piano, com uma batida que evoca certa melancolia.
Os anos 80 são representados por A Modern Midnight Conversation, que também vem com batidinhas de electro, e soa como um aviso que a noite está para começar. A faixa homônima do álbum, We Are the Night, traz uma versão mais acelerada de The Physcodelic Reel, do Dig Your Own Hole, de 1997, álbum que fez o Chemical Brother estourar. O que permanece também, como faixa-conceito de outros discos do duo, são produções leves como The Pills Won’t Help You Know, que encerra o álbum como uma provocação pós-ecstasy.
PARCERIAS E NEW RAVE
O single Do It again, escolhido para divulgação, traz o vocal de Ali Love, músico Londrino que aposta em um eletrônico instrumentalizado. A faixa já tem clipe e vem com um apelo pop-house, mas sem a chatice de uma também pop One more Time, do Daft Punk. Aliás, os clipes do Chemical Brothers são épicos: são famosos o clipe de Elektrobank, que tem Sofia Coppola como estrela, e a parceria com Michel Gondry, em Star Guitar e Let forever Be.
Outra linha-mestra do duo são as parcerias, que, na música All Rights Reversed, traz Klaxons -, representante dessa leva de novas bandas batizada de new rave, e que mistura de tudo, inclusive rock e eletrônico. A presença da banda é marcante na faixa, que destoa do álbum, com a divertida The Salmon Dance, em parceria com o rapper Fatlip, com electro e influências de hip hop.
A capa de Surrender (1999), já trazia a estética de colagem presente em álbuns de new rave, como a compilação francesa Kitsuné Maison, que lançou bandas do gênero. Já o We Are the Night, apostou na psicodelia: com duas mãos e um olho em cada palma, fincados em uma terra íngreme e estrelas conectadas uma a outra, a capa do disco parece reproduzir efeito de um alucinógeno, no melhor deste álbum do Chemical Brothers, que, sem exceções, não tem faixa para pular.
o
Cobertura Skol Beats maio 11, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: cultura, música, simian mobile disco
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Simian Mobile Disco ganha com invenção e rock retrô
Com vocais reproduzidos por samples de house, o som do duo deu num groove que não deixou ninguém parado
Monique Oliveira
Apesar de entrar no Skol Live Stage com 1 hora de atraso, James Ford e James Shaw, a dupla que forma o Simian Mobile Disco, aliou música eletrônica inteligente com interação com o público. Os hits It’s the Beat e Hustler fizeram muitos fãs vibrarem, mas a diferença entre outras atrações era notável: a experiência do dueto como DJs fez com que os hits ficassem difusos em um set construído para manter a pista.
Simian Mobile utilizou remixes de suas próprias produções e, com isso, fez uma boa apresentação, sem a necessidade de fazer o público esperar por músicas mais conhecidas para se manifestar. Enquanto todo o set mantinha as pessoas vibrando com batidas de electro, minimal e ‘arranhadas’ do acid – aquele som que parece reproduzir a guitarra elétrica digitalmente -, vocais reproduzidos por samples de house despontavam em um groove que não deixou ninguém parado.
A visão, de quem olhava do alto, era animadora: mãos para cima, gritos e pulos embalavam a multidão de óculos escuros, preparada para a manhã que se aproximava. A mistura de batidas de minimal ao fundo com um rock retrô e samples de dance music fez a diferença do set construído pela dupla – que dançou e vibrou junto com o público do início ao fim.
Ao contrário dos alemães do M.A.N.D.Y, que se apresentaram na tenda The End, com um set-conceito em que as pequenas batidas se juntam àquela famosa parada que reproduz um ‘transe’ que parece trazer apenas uma nota, o set de Simian Mobile tinha complexidade e o melhor da utilização de samples de e-music – em uma difusão de sons que fica difícil perceber e separar as batidas.
Embora classificados na leva das chamadas bandas de ‘new rave’, em que a música eletrônica se torna um pano de fundo para vocais de apelo pop, James Ford e James Shaw conseguiram fazer uma apresentação em que a riqueza de harmonias se aliou na medida certa do groove para fazer o corpo mexer.
Cobertura Skol Beats maio 10, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.Tags: cultura, música, miss kittin
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Miss Kittin vai no previsível, mas Cuban Brothers não
A francesa Miss Kittin, ou Caroline Hervé, lotou a tenda The End mais por sua popularidade e performance e menos por trazer novidades ao festival. Com hits antigos, como 1982, ela cantou com energia e fez a galera dançar. Mas faltou um motivo, além do groove, para sua presença no line-up.
Já o The Cuban Brothers, que ficou até de cueca no Live Stage, fez uma apresentação que foi além da mera performance. Com um hip-hop dançante, house e ritmos latinos, o grupo trouxe passos de break, com direito a ‘quebradinha’ sensual de quadril. Duelos de MCs, no estilo ‘pergunta-resposta’, em um passo seguido do outro, arrancaram risos do público.
Pelo horário, 23 horas, o espaço do Live Stage ainda estava vazio, mas o grupo conseguiu mostrar a que veio. Miguel Mantovani ainda fez remix do Radiohead, e cantou o hit I Wear Sunglasses at Night, do DJ Tiga, que esteve na edição passada no festival. Com um grande apelo visual, o coletivo Addictive TV, formado por Graham Daniels e Tolly, foi o maior exemplo de utilização de novas tecnologias e linguagens do festival.
No covil do Dj Mau Mau maio 5, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estadao.com.br, Reportagem em vídeo - Estadão.com.br.Tags: cultura, DJ Mau Mau; vídeo, música
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Ellen Alien, ícone da música eletrônica alemã abril 12, 2007
Posted by Monique Oliveira in Estadao.com.br.Tags: cultura, ellen alien, música
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13 de março de 2007 – 11:28
Em entrevista ao Portal Estadão, a DJ diz que música é movimento político
Monique Oliveira
SÃO PAULO - Sem colocar a música eletrônica no âmbito apenas do entretenimento, a DJ e produtora berlinense Ellen Alien é considerada uma das poucas mulheres com destaque no gênero. Prolífica, ela produz, tem uma marca de roupas, e comanda o selo bpitch control.
Apesar de ter destaque na cena electro – estilo que tem sido o hype das pistas, ela aposta no velho techno em suas produções. Já tocou saxofone, estudou moda, arte, caiu na noite e acompanhou a evolução da e-music no final dos anos 80.
Nesta terça, 13, Ellen toca no clube D-Edge, em São Paulo, depois de passar por Florianópolis e Rio de Janeiro. Com álbuns que são uma verdadeira homenagem a Berlim, como “berlinette” e “stadtkind”, Ellen traça um perfil bem interessante da cidade. Em entrevista ao Estadão.com, por telefone, ela é polêmica ao comentar o desenvolvimento da e-music berlinense: acredita que o techno teve por base o princípio “dane-se a política” e, por isso, os clubes foram uma alternativa hedonista de movimento social.
Você participou do Nokia Trends em 2005 em São Paulo. Você vê alguma diferença de tocar em festivais no Brasil e na Europa, onde a música eletrônica é mais forte?
Tocar no Brasil sempre tem um clima mais emocional. É muito fácil conversar com as pessoas. Elas são muito mais abertas a ritmos que não são necessariamente a base cultural daqui. Mas há diferenças. No Brasil, as raízes musicais são múltiplas e as pessoas reagem de uma outra maneira. Não é tão direto como na Alemanha. É tudo mais fluido.
Em seu site, você destacou o movimento londrino de acidhouse, estilo que foi o cerne da cena rave no final dos anos 80, como uma de suas influências. Como foi esse cenário e como estava Berlim nessa época?
Londres sempre foi muito ligada ao hip hop e ao black. O acidhouse surgiu como uma confluência da música eletrônica com essa variabilidade de ritmos. Já Berlim, tinha muito mais a ver com o que estava rolando de underground nos Estados Unidos, com o techno de Detroit. Em Londres, o pop não era novo. Em Berlim, também pela situação política e pela divisão da cidade, ritmos mais dançantes eram novidade. O povo alemão é muito minimalista com sons e muito racional para música. Nisso, o techno se encaixou muito bem.
A queda do muro de Berlim e o novo sistema político tiveram alguma influência na produção musical da cidade?
Quando o muro caiu, a juventude não acreditava mais em movimentos políticos. Era tudo muito novo. Quando há mudanças sociais, o olhar sobre a cultura também muda. Isso em qualquer país. Em Berlim, começaram a surgir festas em galpões de indústrias. O sentimento era de: “Dane-se a política. Todos estão juntos. O que foi tudo aquilo. Vamos nos divertir.” A intenção era fazer tudo de um modo diferente, talvez de um jeito mais individualista, sem tanta seriedade. E por isso a música começou a crescer tão rapidamente.
Por isso a música eletrônica é tão forte em Berlim?
Se você vai à Itália, tudo é tão bonito. A História é valorizada. Você anda pelas ruas e o sentimento é que se está em um museu urbano. Para nós é muito diferente. Na Alemanha, a História foi muito dura. Não há nada de bonito. A música era uma maneira de fazer tudo diferente. Clubes em grandes metrópoles estão sempre cheios por que, por mais que se diga que é diferente, há um sentimento de fuga da verdade.
Claro que para quem está lendo isso pode parecer que todo mundo usa drogas. São Paulo é uma cidade que só cresce, que tem uma grande influência do capitalismo americano. Muita gente, sem saber, está fugindo dessa confusão. Querem encontrar pessoas em outro contexto, com corpos, com música. Eles querem sentir.
Foi assim com você?
Para mim, no começo tudo foi muito como uma diversão. Eu ia para festas como louca, com drogas, sem muita intenção. Mas acabei falando de outras coisas, tendo idéias, e fazendo disso minha vida, minha cultura musical. Depois, comecei a fazer o selo, fiz programa de rádio, passei a discotecar, tenho uma marca de roupas. Festa também é um meio de comunicação. As pessoas trocam idéias, emoções, tudo…É uma troca. Não são somente drogas. Também tem um movimento social e político, no sentindo de que há pessoas produzindo, ditando novos estilos, tendo idéias, inovando e criando novas leis de sociabilidade. Talvez eles não escrevam sobre isso, mas há muita coisa acontecendo.
O selo bpitch control tem com uma proposta mais intimista, de uma música eletrônica mais conceitual. É também um modo de mostrar à sociedade que música eletrônica não é somente para dançar em uma pista? Que há outro lado?
Eu não vejo dessa maneira. Que seja somente para dançar. Eu encaro a dança como parte do processo de comunicação com a música. É uma maneira de sentir fortemente a música, sua melodia, harmonia e ritmo. Você pode sentir o seu corpo, aquele “haaaaaaaaaaaaa”. Emoções vêm à tona. Claro, posso fazer sons que evoquem sentimentos mais pessoais. Penso também naquela pessoa que vai colocar o CD em casa, concentrar-se em outras coisas. Nessa situação, é chato ouvir somente dance music. Sons mais intimistas também são uma maneira de chegar mais próximo do produtor, de entender. Mas não há uma valoração nisso.
Você é tida como pertencente à cena de electro na Alemanha. É assim que se sente?
Eu diria que sou uma DJ de techno basicamente, embora a mídia me classifique como sendo de electro. Eu entendo. Se isso aproxima mais as pessoas, ou gera um entendimento. Não me importo. A classificação não vai mudar a minha música. Se eles precisam de algo para escrever ou puxar pelo “hype”, tudo bem.
O que podemos esperar para o D-Edge. Vai mudar do que já tocou nas outras cidades?
Não. Dificilmente mudo, mas também nunca levo o meu set pronto. Sinto o lugar. Às vezes, tento dar uma atmosfera mais positiva ou mais dark.
Ellen Alien – D-Edge – DJs: Renato Ratier/Ellen Allien/Pil Marques. Quando: Terça-feira – 13/03 – 23h. Entrada: R$ 45 (CC, CD, CQ, $). Endereço: Al. Olga, 170 – Barra Funda. Informações: 3666 9022 ou pelo site ww.d-edge.com.br. Hosts: Luma Assis e JJ Davies. Estacionamento: R$ 10,00
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Revista Contracampo de Cinema fevereiro 5, 2007
Posted by Monique Oliveira in Revista Contracampo.Tags: Berlim, cinema, cultura
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MUSEU DO CINEMA DE BERLIM – UMA VISITA
Visita por um dos ícones de uma nova Berlim
Monique Oliveira
Revista Contracampo de Cinema
BERLIM – O cinema foi a arte do século XX – mas sabe-se lá até quando. A única invenção genuinamente burguesa reconhecida como arte aprendeu que mesmo com uma produção industrial de cópias e mais cópias, sem o culto e preservação, suas obras-primas poderiam ser esquecidas depois do alvoroço comercial que inicialmente provocaram.
O material de um filme se decompõe, envelhece, ou é simplesmente esquecido. Ao mesmo tempo, para se perceber a essência artística de uma película, só o tempo. Algumas obras são incompreendidas, outras supervalorizadas. Depois do olhar de algumas gerações, respostas se cristalizam: filmes cuja importância se resume ao sucesso comercial, ou filmes que revelam-se por suas qualidades artísticas e ultrapassam qualquer tela e audiência. Sem os reis ou czares da aristocracia, os ícones burgueses foram imortalizados em self-portraits, só que frame a frame.
Os pop stars encontraram numa antiga instituição sua imortalidade – em uma busca pela representação da realidade, que se não passou de impressão ou simulacro, ao menos fez história. O que importa a um museu é preservar o que se puder de uma história, de uma memória. E um museu do cinema não poderia ser diferente.
Só na Alemanha existem quatro museus do filme. O mais recente deles, o Filmmuseum de Berlim, foi inaugurado em 2001. Com criação prevista desde a Berlim socialista no início dos anos oitenta, ele só se tornou possível após a reunificação e o investimento de grandes multinacionais como a Sony. Para a exposição, utiliza parte do acervo da Deustche Kinemathek, fundada em 1963, além de outras aquisições. Segundo a diretoria, “utiliza-se os mais modernos equipamentos digitais para preservação e a pesquisa é sempre constante para vencer os desafios propostos para os novos tipos de mídia, já que o objetivo do Filmmuseum também é arquivar produções contemporâneas”.
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