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Resenha NIN – Ghosts I-IV / The Slip agosto 12, 2008

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NIN – Ghosts I-IV / The Slip

Banda de Trent Reznor lança álbuns independentes com fantasmas sociopatas e orgasmos pós-starfuckers
26.05.08 17:10
Era o ano de 1999. O flyer do Madame Satã estampava, naquela estética metal-vintage (pra não dizer brega), Especial NIN – o “n” final é invertido e espelhado, em alguma referência simbólica ainda oculta para o Google. O mosquitus geek já me picara na época. Mas as ferramentas ainda eram por demais anacrônicas pra minha sede de superficialidade musical. Ainda brincava de Yahoo search e Napster. E “Head Like A Hole” veio. Depois de um dia, e a percepção de que o mundo, em uma velocidade de 1,3 Kb/s, jamais alcançaria minhas sinapses cerebrais.

Foi o bastante: eu já tinha o prelúdio do que seriam as obviedades de toda arte que se quer politizada, acompanhadas por uma pira sonora e soturna que, se expressadas textualmente, desmentiria a sentença anterior. Michael Trent Reznor seria o último dos meus leadsingers, o único herói que não morrera de overdose e, acometido da síndrome dualista da contracultura, resolvera apostar como Bono que outro mundo era possível.

Só que não soou otimista. Da estética monster, desconstruída do punk, veio o rock industrial herdado de contradições simplórias, mas não menos idealizadas, de lutas de classes pré-capitalistas. Junto, trouxe o ceticismo pós-moderno. E NIN virou a síntese da complexidade de composições que superaram o marxismo; politizadas, mas individualistas. Quase um rasgo social, quase um prenúncio da sociopatia.
Mas surgiu o mundo Last.fm. Fez-se a tag. E depois de superar a fase starfuckers (veja box), Reznor aprendeu. Libertou-se das grandes gravadoras e The Slip, que atesta sua alcunha industrial synthpop desde Pretty Hate Machine (1989), chegou. O álbum que faz o Madame parecer futurista e hoje transforma a Torre num tributo ao passado veio, com suas dez faixas no Creative Commons, despreendido no MySpace e Torrents da vida. Versões físicas em CD e vinil estão previstas para julho.

A velocidade chegou a 1GB, junto com individualismo. Experimentações do-it-yourself aliadas com alguma inteligência, fez também o Ghosts I-IV, lançado em março desse ano. Uma piração instrumental, com 36 faixas e duas horas de pura catarse, que chega lembrar a frenética trilha de Twin Peaks (David Lynch; 1991), criada pelo compositor Angelo Badalamenti, com sintetizadores barulhentos que acompanhavam a investigação quebra-cabeça de quem teria matado Laura Palmer.

É um substrato impressionante pra remixes, que não tardarão a chegar. “Trilha para dias de sonho, baseadas em uma perspectiva audiovisual”, como apresentou o próprio Reznor. Mas Ghosts também não é nada a mais do que já não fora assinalado antes, em canções como “The Frail” e “The Wretched” (The Fragile; 1999). Pra quem viu a virada das duas no DVD de “All Could Have Been”, lançado em 2002, não deixaria nenhum espectro falar que é novidade de 2008. Tão soturno, barulhento e noir como sempre foi o Nine Inch Nails.

Sem anúncio de que seriam lançadas, as faixas do Ghosts I-IV foram surgindo aos mais atentos no maispece. Mas algo totalmente esperado, no entanto, a não ser o fato de que Reznor nomeou bem dessa vez e criou forma, estética, e distribuição fácil de serem tachadas como experimental. Esses dois álbuns foram lançados pela The Null Corporation, selo criado para fugir das majors e para cuidar do canal da banda no YouTube, e que, fugindo dos moldes tradicionais, distruibui subcontratos para outras gravadoras. A idéia de um selo “lançando” esses trabalhos soa até um pouco estranha, ainda mais com a banda licenciando esses trabalhos pela democrática Creative Commons. Ouça no simpático player abaixo – devidamente fornecido pela banda em si – as faixas de Ghosts I-IV.

THE SLIP: De volta ao espectro do existencialismo
O disco já começa com um binário sombrio-frenético, nos 10s de “999,999″ para a pesada “1,000,000″. Mas é em “Discipline” que está a aposta de um novo single, candidata pra pistas, dançante, ao gosto do hit “Closer” (1994). Sem ser libidinosa nem SM, mas levada por uma bateriazinha – que lembra o famigerado refrão “I wanna fuck you like an animal” -, e aliada a uma vontade de responder passivamente um “you can”. “Discipline” questiona relações, bem NIN, niilista – diferente do que foi o antibush Year Zero (2005).

“Echoplex” segue numa baladinha. Com “Head Down” e “Demon Seed” dando um show de distorções até “Lights in the Sky”, com piano, harmonia atonal, e um Reznor entoando um sussurro melancólico. Em “Corona Radiata”, voltamos pro Ghosts e a reprodução de um ambiente planetário, no melhor de música de fone para olhar paisagem.

The Slip atesta as variações pesadas, leves e experimentais em um álbum que não tem necessariamente um conceito. Longe do que foi o seu predecessor experimental, Ghosts – que, apesar de custar US$ 300 em sua edição de luxo e soar muitas vezes um pedaço de cada música do NIN já lançada – tem uma forma, e abre, tanto no seu lançamento quanto em sua experimentação musical, outras perspectivas para a banda e a indústria fonográfica, atualmente em fase de mutação.

The Slip: 4.0
Ghosts I-IV: 4.8

Caderno 2 – Entrevista Apparat fevereiro 5, 2008

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Apparat e a eletrônica intimista

Produtor alemão cansou do laptop e traz banda para show dia 25, no Ibirapuera

Monique Oliveira

Leia no Estado ou clique aqui para o pdf.

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Com uma estrutura de banda, o DJ e produtor alemão Sascha Ring, ou Apparat – nome que significa aparato em alemão, mas ao qual o produtor evita dar qualquer significado mais conceitual – é a principal atração do Motomix para os apreciadores de música eletrônica. Ele se apresenta no dia 25, domingo, e de graça no Parque do Ibirapuera. O DJ (que também é conhecido pela polêmica frase ‘sou um desenvolvedor de sons, não de batidas’) traz faixas do recém-lançado The Walls, álbum intimista e melódico – como as suas últimas produções.

Em entrevista por telefone, de Berlim, Sascha explica que, apesar de ser a cidade onde se tornou conhecido, ele não compartilha do mesmo gosto musical reinante por lá. ‘Nunca me senti um alemão, só não me pergunte de onde eu venho.’ Segundo ele, seu som é muito pouco requisitado para os clubes de lá. ‘A noite berlinense aposta em sonoridades pesadas. E não é meu tipo de som.’ Na Alemanha, o minimal representou apenas um modismo, e o trance, tão popular nas raves brasileiras, nem chega perto dos line ups. De inspiração para o mundo inteiro, o país é a Meca da música eletrônica. Galpões vazios, após a queda do Muro, fizeram com que conceber um clube ficasse simples e barato. Aliado à cena de Detroit, o país se tornou o mais prolífico de selos e produtores da e-music.

Sascha foi na leva daqueles que aproveitaram o boom do tecno no início dos anos 90 e, desde 1999, é um dos donos do selo Shitkatapult. Da sua proveitosa parceria com Ellen Alien, que tocou no D-Edge em março deste ano, nasceu o Orchestra of Bubles (2006), álbum ovacionado pela crítica no mundo inteiro. Os projetos com a DJ, que muitos aguardam, e cujas inflamadas performances atraem curiosos ao YouTube, estão adiados por enquanto, segundo Apparat. Eles seriam perfeitos para algum festival brasileiro que quer ter nomes de peso em sua seleção.

Ele está cansado da batida 4×4 – aquele conjunto de bpms que se repete de quatro em quatro vezes -, que, para Apparat, é o pressuposto para qualquer produção que deseja ser hit de um clube. ‘Muitos dizem que o minimal e muita coisa da música eletrônica são iguais. Em parte, é verdade, porque eu sinto falta de mais variedade nos clubes. O que se ouve são quase sempre variações da mesma produção. Só não quero mais fazer parte de tudo isso.’

E realmente as produções de Apparat estão fora das sonoridades de estilos mais consagrados e, embora se aproximem de uma atmosfera lounge, downtempo, suas faixas se tornaram quase um gênero, e pressuposto para muitas exclamações de ‘Isso é bem Apparat!’, que se ouve por aí. Para The Walls, Sascha não quis a interação de um set, com remixes e outras artimanhas que os DJs produtores utilizam para apenas jogar o álbum para o público. ‘Comecei a sentir que havia um abismo entre o álbum e o que eu tocava e decidi fazer esse projeto com a banda, que está me trazendo outro tipo de experiência com o público, mais indireta.’

Desde Duplex (2003), seu último álbum-solo antes de The Walls, ele não mais se pauta pelos efeitos proporcionados pela edição em computador. Not a Number começa com um violino melancólico e Hailing from The Edge ensaia um trip hop na voz de Raz Ohara, dinamarquês radicado em Berlim que também aposta no soul. O álbum está longe de uma produção para pista, com a diminuição de efeitos produzidos por sintetizadores e batidas não comerciais. Vai na contramão do beat que consagrou e ao mesmo tempo contribuiu para que os mais conservadores fizessem comentários depreciativos sobre a música eletrônica.

Sascha, que quis chegar o mais próximo do clássico processo de produção musical, cansou do laptop. ‘Sempre fui um nerd, estudo vários tipos de sonoridades e acredito que a interação com instrumentos dá uma idéia mais clara de pegar a melodia da música, e deixá-la menos exata. Também é um processo social, de gravação, de interação. Antes, era apenas eu e o computador.’

A preocupação com a melodia, no entanto, não afastou Apparat da música eletrônica. Apesar de achar que representantes da cena new rave abriram o campo da e-music para uma audiência maior, e que produtores como Timbaland fizeram grandes inovações na música, o DJ continua seguindo sua linha abstrata sem, segundo ele, colocar na música a responsabilidade de ‘determinar uma atitude ou impor uma identidade cultural por meio dela’.

No show, não vale nem procurar pela batida; tampouco por uma idéia preconcebida de banda. A mistura, que para Apparat não chega a tentar ampliar o público mais avesso ao trabalho do DJ, é para quem procura por algo novo de alguém que se auto-intitula ‘designer de som’, e cuja única regra é a desconstrução e o desejo de inovar.

Serviço. Motomix. Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, perto da Marquise. Dia 25 de novembro, a partir das 14h30. Grátis

Resenhas – Revista DJ MAG agosto 7, 2007

Posted by Monique Oliveira in Revista DJ MAG Brasil.
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The Chemical Brothers
WE ARE THE NIGHT
EMI

Com lançamento oficial para o dia 2 de julho, We Are the Night, sexto álbum do The Chemical Brothers, chega com mudanças sutis. Mas o big beat, a mistura inteligente de house, funk e hip-hop que colocou Ed Simons e Tom Rowlands no posto de intelectuais do dance music, ainda reverbera por todas as faixas do disco. O álbum traz três músicas essencialmente dançantes: “Do it Again”, “We Are The Night” e “Burst Generator”. Nesta última, aparece a sutileza de outras influências como o minimal e o electro. As tradicionais parcerias que trazem tanta diversidade à discografia do duo persistem. Em “All Rights Reversed”, a dupla chamou o Klaxons, representante da chamada new rave, deixando a faixa muito mais para o rock do que o eletrônico. Já “The Salmon Dance”, traz uma criativa levada de hip-hop em parceria com o rapper Fatlip.
MONIQUE OLIVEIRA

Leia na DJ MAG.

ART BRUT
It’s a Bit Complicated

DOWN TOWN

Depois de dois anos de lançamento de seu primeiro álbum, Bang Bang Rock’n'Roll, o quinteto britânico se aperfeiçoa no segundo com o mesmo rock cru e falado do vocalista Eddie Argos, mas um pouquinho mais de melodia. Tendo “Direct Hit” como principal candidata às pistas, It’s a Bit Complicated traz letras inteligentes com a mesma reflexão família-garotas-música. Entre os destaques, “Blame It on Trains” é uma ótima balada e “People in Love”, não só no nome, traz referência ao eterno amante de Emily Kane.
MO

Leia na DJ MAG. 

Resenha ‘We Are The Night” junho 6, 2007

Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.
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Se hoje existem produtores de música eletrônica merecedores do único rótulo digno dos grandes – o de inclassificável – eles são Tom Rowlands e Ed Simons, duo britânico que forma o The Chemical Brothers. Com lançamento oficial de We Are the Night, para o dia 2 de julho, eles continuam firmes no posto de pioneiros; não só pelo que já produziram, mas pela incorporação dos mais variados estilos que a dance music, com público mais amplo e não tão exigente, alcançou desde a formação do dueto em 1993.

E não é fácil manter a originalidade. Da famosa cena dance de Manchester, que começou com a formação do New Order e na qual o Chemical Brothers se inspirou junto com a leva de outras bandas dos anos 80 – The Smiths, Jesus and the Mary Jain, Cabaret Voltaire e My Bloody Valentine – , gêneros clássicos como o house e o tecno se tornaram prefixos para a formação dos mais diversos estilos com as variantes: minimal tecno, electro-house, tech-house…

O que o dueto absorveu de tudo isso? Muito. O sexto álbum é a prova de que o Chemical Brothers mudou. Do big beat, ou chemical beats – já dá para perceber a importância de Rowlands e Simons na batida – sobrou pouco. O som que traz o 4×4 do house com hip-hop e funk, e influenciou Prodigy e Fatboy Slim, ficou nos anos 90, mas o beat e a diversidade de instrumentos e sintetizadores dão unidade ao We Are the Night, que continua sendo Chemical Brothers, na melhor tradução de ‘tudo pode fazer sentido na pista desde que esteja atrelado à batida’.

(RE)EVOLUÇÃO

We Are the Night é uma mistura de estilos. Mas a síntese do que há de novo está concentrada em uma faixa: Burst Generator. Batidas esparsas, sem exatamente o minimal tecno que chegou a ser um prelúdio da morte do hard. O aumento e diminuição de bpms, com aquelas famosas aceleradas que fazem a pista explodir, no entanto, trazem o clássico do Chemical Brothers, presentes em faixas essencialmente dançantes como Hey Boy Hey Girl.

Há duas faixas-ambiente curtas, Harpoons e No Path to Follow. Esta última abre o disco e curiosamente traz uma versão lenta dos primeiros segundos de Batlle Scars, que vem com um vocal inebriante de Willy Manson, americano com raízes no folk. A faixa começa com um electro e lá pelos 3 minutos, vira uma crescente, acompanhada de piano, com uma batida que evoca certa melancolia.

Os anos 80 são representados por A Modern Midnight Conversation, que também vem com batidinhas de electro, e soa como um aviso que a noite está para começar. A faixa homônima do álbum, We Are the Night, traz uma versão mais acelerada de The Physcodelic Reel, do Dig Your Own Hole, de 1997, álbum que fez o Chemical Brother estourar. O que permanece também, como faixa-conceito de outros discos do duo, são produções leves como The Pills Won’t Help You Know, que encerra o álbum como uma provocação pós-ecstasy.

PARCERIAS E NEW RAVE

O single Do It again, escolhido para divulgação, traz o vocal de Ali Love, músico Londrino que aposta em um eletrônico instrumentalizado. A faixa já tem clipe e vem com um apelo pop-house, mas sem a chatice de uma também pop One more Time, do Daft Punk. Aliás, os clipes do Chemical Brothers são épicos: são famosos o clipe de Elektrobank, que tem Sofia Coppola como estrela, e a parceria com Michel Gondry, em Star Guitar e Let forever Be.

Outra linha-mestra do duo são as parcerias, que, na música All Rights Reversed, traz Klaxons -, representante dessa leva de novas bandas batizada de new rave, e que mistura de tudo, inclusive rock e eletrônico. A presença da banda é marcante na faixa, que destoa do álbum, com a divertida The Salmon Dance, em parceria com o rapper Fatlip, com electro e influências de hip hop.

A capa de Surrender (1999), já trazia a estética de colagem presente em álbuns de new rave, como a compilação francesa Kitsuné Maison, que lançou bandas do gênero. Já o We Are the Night, apostou na psicodelia: com duas mãos e um olho em cada palma, fincados em uma terra íngreme e estrelas conectadas uma a outra, a capa do disco parece reproduzir efeito de um alucinógeno, no melhor deste álbum do Chemical Brothers, que, sem exceções, não tem faixa para pular.

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Cobertura Skol Beats maio 11, 2007

Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.
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Simian Mobile Disco ganha com invenção e rock retrô

Com vocais reproduzidos por samples de house, o som do duo deu num groove que não deixou ninguém parado

Monique Oliveira

Apesar de entrar no Skol Live Stage com 1 hora de atraso, James Ford e James Shaw, a dupla que forma o Simian Mobile Disco, aliou música eletrônica inteligente com interação com o público. Os hits It’s the Beat e Hustler fizeram muitos fãs vibrarem, mas a diferença entre outras atrações era notável: a experiência do dueto como DJs fez com que os hits ficassem difusos em um set construído para manter a pista.

Simian Mobile utilizou remixes de suas próprias produções e, com isso, fez uma boa apresentação, sem a necessidade de fazer o público esperar por músicas mais conhecidas para se manifestar. Enquanto todo o set mantinha as pessoas vibrando com batidas de electro, minimal e ‘arranhadas’ do acid – aquele som que parece reproduzir a guitarra elétrica digitalmente -, vocais reproduzidos por samples de house despontavam em um groove que não deixou ninguém parado.

A visão, de quem olhava do alto, era animadora: mãos para cima, gritos e pulos embalavam a multidão de óculos escuros, preparada para a manhã que se aproximava. A mistura de batidas de minimal ao fundo com um rock retrô e samples de dance music fez a diferença do set construído pela dupla – que dançou e vibrou junto com o público do início ao fim.

Ao contrário dos alemães do M.A.N.D.Y, que se apresentaram na tenda The End, com um set-conceito em que as pequenas batidas se juntam àquela famosa parada que reproduz um ‘transe’ que parece trazer apenas uma nota, o set de Simian Mobile tinha complexidade e o melhor da utilização de samples de e-music – em uma difusão de sons que fica difícil perceber e separar as batidas.

Embora classificados na leva das chamadas bandas de ‘new rave’, em que a música eletrônica se torna um pano de fundo para vocais de apelo pop, James Ford e James Shaw conseguiram fazer uma apresentação em que a riqueza de harmonias se aliou na medida certa do groove para fazer o corpo mexer. 

Cobertura Skol Beats maio 10, 2007

Posted by Monique Oliveira in Estado de S. Paulo - Caderno 2.
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Miss Kittin vai no previsível, mas Cuban Brothers não

A francesa Miss Kittin, ou Caroline Hervé, lotou a tenda The End mais por sua popularidade e performance e menos por trazer novidades ao festival. Com hits antigos, como 1982, ela cantou com energia e fez a galera dançar. Mas faltou um motivo, além do groove, para sua presença no line-up.

Já o The Cuban Brothers, que ficou até de cueca no Live Stage, fez uma apresentação que foi além da mera performance. Com um hip-hop dançante, house e ritmos latinos, o grupo trouxe passos de break, com direito a ‘quebradinha’ sensual de quadril. Duelos de MCs, no estilo ‘pergunta-resposta’, em um passo seguido do outro, arrancaram risos do público.

Pelo horário, 23 horas, o espaço do Live Stage ainda estava vazio, mas o grupo conseguiu mostrar a que veio. Miguel Mantovani ainda fez remix do Radiohead, e cantou o hit I Wear Sunglasses at Night, do DJ Tiga, que esteve na edição passada no festival. Com um grande apelo visual, o coletivo Addictive TV, formado por Graham Daniels e Tolly, foi o maior exemplo de utilização de novas tecnologias e linguagens do festival.

No covil do Dj Mau Mau maio 5, 2007

Posted by Monique Oliveira in Estadao.com.br, Reportagem em vídeo - Estadão.com.br.
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Ellen Alien, ícone da música eletrônica alemã abril 12, 2007

Posted by Monique Oliveira in Estadao.com.br.
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13 de março de 2007 – 11:28

Leia no Portal do Estadão

Em entrevista ao Portal Estadão, a DJ diz que música é movimento político

 Monique Oliveira

DivulgaçãoSÃO PAULO - Sem colocar a música eletrônica no âmbito apenas do entretenimento, a DJ e produtora berlinense Ellen Alien é considerada uma das poucas mulheres com destaque no gênero. Prolífica, ela produz, tem uma marca de roupas, e comanda o selo bpitch control.

Apesar de ter destaque na cena electro – estilo que tem sido o hype das pistas, ela aposta no velho techno em suas produções. Já tocou saxofone, estudou moda, arte, caiu na noite e acompanhou a evolução da e-music no final dos anos 80.

Nesta terça, 13, Ellen toca no clube D-Edge, em São Paulo, depois de passar por Florianópolis e Rio de Janeiro. Com álbuns que são uma verdadeira homenagem a Berlim, como “berlinette” e “stadtkind”, Ellen traça um perfil bem interessante da cidade. Em entrevista ao Estadão.com, por telefone, ela é polêmica ao comentar o desenvolvimento da e-music berlinense: acredita que o techno teve por base o princípio “dane-se a política” e, por isso, os clubes foram uma alternativa hedonista de movimento social.

Você participou do Nokia Trends em 2005 em São Paulo. Você vê alguma diferença de tocar em festivais no Brasil e na Europa, onde a música eletrônica é mais forte?

Tocar no Brasil sempre tem um clima mais emocional. É muito fácil conversar com as pessoas. Elas são muito mais abertas a ritmos que não são necessariamente a base cultural daqui. Mas há diferenças. No Brasil, as raízes musicais são múltiplas e as pessoas reagem de uma outra maneira. Não é tão direto como na Alemanha. É tudo mais fluido.

Em seu site, você destacou o movimento londrino de acidhouse, estilo que foi o cerne da cena rave no final dos anos 80, como uma de suas influências. Como foi esse cenário e como estava Berlim nessa época?

Londres sempre foi muito ligada ao hip hop e ao black. O acidhouse surgiu como uma confluência da música eletrônica com essa variabilidade de ritmos. Já Berlim, tinha muito mais a ver com o que estava rolando de underground nos Estados Unidos, com o techno de Detroit. Em Londres, o pop não era novo. Em Berlim, também pela situação política e pela divisão da cidade, ritmos mais dançantes eram novidade. O povo alemão é muito minimalista com sons e muito racional para música. Nisso, o techno se encaixou muito bem.

A queda do muro de Berlim e o novo sistema político tiveram alguma influência na produção musical da cidade?

Quando o muro caiu, a juventude não acreditava mais em movimentos políticos. Era tudo muito novo. Quando há mudanças sociais, o olhar sobre a cultura também muda. Isso em qualquer país. Em Berlim, começaram a surgir festas em galpões de indústrias. O sentimento era de: “Dane-se a política. Todos estão juntos. O que foi tudo aquilo. Vamos nos divertir.” A intenção era fazer tudo de um modo diferente, talvez de um jeito mais individualista, sem tanta seriedade. E por isso a música começou a crescer tão rapidamente.

Por isso a música eletrônica é tão forte em Berlim?

Se você vai à Itália, tudo é tão bonito. A História é valorizada. Você anda pelas ruas e o sentimento é que se está em um museu urbano. Para nós é muito diferente. Na Alemanha, a História foi muito dura. Não há nada de bonito. A música era uma maneira de fazer tudo diferente. Clubes em grandes metrópoles estão sempre cheios por que, por mais que se diga que é diferente, há um sentimento de fuga da verdade.

Claro que para quem está lendo isso pode parecer que todo mundo usa drogas. São Paulo é uma cidade que só cresce, que tem uma grande influência do capitalismo americano. Muita gente, sem saber, está fugindo dessa confusão. Querem encontrar pessoas em outro contexto, com corpos, com música. Eles querem sentir.

Foi assim com você?

Para mim, no começo tudo foi muito como uma diversão. Eu ia para festas como louca, com drogas, sem muita intenção. Mas acabei falando de outras coisas, tendo idéias, e fazendo disso minha vida, minha cultura musical. Depois, comecei a fazer o selo, fiz programa de rádio, passei a discotecar, tenho uma marca de roupas. Festa também é um meio de comunicação. As pessoas trocam idéias, emoções, tudo…É uma troca. Não são somente drogas. Também tem um movimento social e político, no sentindo de que há pessoas produzindo, ditando novos estilos, tendo idéias, inovando e criando novas leis de sociabilidade. Talvez eles não escrevam sobre isso, mas há muita coisa acontecendo.

O selo bpitch control tem com uma proposta mais intimista, de uma música eletrônica mais conceitual. É também um modo de mostrar à sociedade que música eletrônica não é somente para dançar em uma pista? Que há outro lado?

Eu não vejo dessa maneira. Que seja somente para dançar. Eu encaro a dança como parte do processo de comunicação com a música. É uma maneira de sentir fortemente a música, sua melodia, harmonia e ritmo. Você pode sentir o seu corpo, aquele “haaaaaaaaaaaaa”. Emoções vêm à tona. Claro, posso fazer sons que evoquem sentimentos mais pessoais. Penso também naquela pessoa que vai colocar o CD em casa, concentrar-se em outras coisas. Nessa situação, é chato ouvir somente dance music. Sons mais intimistas também são uma maneira de chegar mais próximo do produtor, de entender. Mas não há uma valoração nisso.

Você é tida como pertencente à cena de electro na Alemanha. É assim que se sente?

Eu diria que sou uma DJ de techno basicamente, embora a mídia me classifique como sendo de electro. Eu entendo. Se isso aproxima mais as pessoas, ou gera um entendimento. Não me importo. A classificação não vai mudar a minha música. Se eles precisam de algo para escrever ou puxar pelo “hype”, tudo bem.

O que podemos esperar para o D-Edge. Vai mudar do que já tocou nas outras cidades?

Não. Dificilmente mudo, mas também nunca levo o meu set pronto. Sinto o lugar. Às vezes, tento dar uma atmosfera mais positiva ou mais dark.

Ellen Alien – D-Edge – DJs: Renato Ratier/Ellen Allien/Pil Marques. Quando: Terça-feira – 13/03 – 23h. Entrada: R$ 45 (CC, CD, CQ, $). Endereço: Al. Olga, 170 – Barra Funda. Informações: 3666 9022 ou pelo site ww.d-edge.com.br. Hosts: Luma Assis e JJ Davies. Estacionamento: R$ 10,00
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O sucesso do indie fevereiro 4, 2006

Posted by Monique Oliveira in Guia da Semana.
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Leia no Guia da Semana.

Por Monique Oliveira

Baseado no “faça você mesmo”, o indie era para ser um movimento de contracultura independente, mas acabou no mainstream


O indie rock começou denominando uma série de bandas que em meados dos anos 80 estava longe dos hits produzidos por ícones do pop, como Madonna e Michael Jackson. Sem gravadora e com grunhidos de garagem, o som baseado na atitude do DIY – Do it yourself (faça você mesmo) – ficou conhecido como independente. Hoje, quanto mais desconhecida e mais difícil para achar, mais indie uma banda é.

O movimento indie e sua posição baseada no ser do “contra” não é novidade. Nos anos 60, os hippies já gritavam esse ideal de liberdade. A Nouvelle Vague francesa, o Cinema Novo com Glauber Rocha, o movimento punk e o surrealismo são expressões da quebra de padrões. Na música, a atitude não-comercial ficou conhecida como new wave e, mais adiante, como indie.

Bandas consideradas indie começaram a produzir no underground e caíram nos holofotes da mídia – mas ao invés de serem consideradas ícones do cult como no cinema, foram dominadas pela indústria pop. Foi o auge. Grupos como Green Day, The Offspring e Bad Religion mudaram a cena e ficaram grandes no ramo. Na década de 90, outros começaram indie: Smashing Pumpkins, Oasis, Radiohead e até o Nirvana.

Um estilo de vida
Com influências da década de 60 e 70, o termo indie também passou a designar um estilo. Costeletas, franjas, tênis xadrez, paletós, blazers e skinny jeans compõem o visual dos alternativos. A atmosfera cult é reproduzida pelos óculos de acetato, mais conhecido como “aro grosso”. Os indies possuem os mais variados interesses: cinema, literatura, revistas, pintura, arte, etc.

Há quem pergunte o que há de independente em bandas que foram capas de revistas como Rolling Stone e alcançaram as paradas da Billboard. O fato é que começaram indie e alcançaram notoriedade por produzir um rock´n´roll que, se não foi totalmente original, tinha lá o seu quê de diferente e chamou a atenção. Como chegaram nas grandes indústrias fonográficas é um mistério. O mercado é isso: de repente a drag queen que agita raves GLBT pode virar palhaça de festa infantil. A metáfora é exagerada, mas não é lá grande novidade que a indústria do entretenimento tem poderes de fazer o marginal virar hit quando lhe convém. Resultado: fãs histéricas, milhões de discos vendidos e sucesso, muito sucesso.

O punk pop do Green Day

No entanto, não se pode limitar o som desses grupos a uma denominação mercadológica. Tudo mudou. Bandas consideradas independentes na década de 80 e 90 viraram clássicas e até tentaram conservar uma atitude não-comercial, na tentativa de reviver os primórdios dos tempos de garagem.

Em 2001, o indie veio com uma nova roupagem alavancada pelos garotos do Strokes e pelo duo The White Stripes. Baseando-se numa renascença do new wave, o movimento ganhou os mais variados adeptos. Depois que caíram nas mãos da mídia, até deixaram de ser considerados indie pelos mais radicais, mas tentam permanecer com o rótulo que os consagraram.

O boom do indie

Conheça algumas bandas que representam a nova geração indie:

The Strokes
Vindos de Nova York, o The Strokes é considerado por muitos críticos os responsáveis pela volta do indie. O vocalista Julio Casablancas e o baixista Nikolai Fraiture são amigos desde crianças e começaram a tocar juntos na escola. Apesar do sucesso, o The Strokes é acusado de ser uma cópia do Velvet Underground e de copiar trejeitos e estilo do Lou Reed.

Influências: Blondie, The Beatles, Velvet Underground e Television

Álbuns: “Is This It” (2001),”Room on Fire” (2003), e “First Impressions of the Earth” (2006)

The White Stripes
Vindos de Detroit (EUA), a dupla formada por Jack White e Meg White há muito já deixaram o universo indie. Com especulações acerca de suas relações, os dois caíram nas colunas de fofoca: já foram irmãos, amigos, colegas de infância e marido e mulher. Jack White veio até a Amazônia para se casar com a modelo Karen Elson no encontro das águas do Rio Negro e Solimões. Apesar do grande sucesso, o The White Stripes ganhou Grammy de melhor álbum alternativo em 2006 por Get Behind me Satan.

Álbuns: “The White Stripes” (1999), “De Stijl” (2000), “White Blood Cells” (2001), “Elephant” (2002), “Get Behind Me Satan” (2005)

Franz Ferdinand
A banda escocesa já veio com ares de indie-cult: o nome da banda remete ao arquiduque austríaco Franz Ferdinand. Aquele cuja morte estourou a Primeira Guerra Mundial. A banda começou a tocar em uma casa abandonada em Glasgow, batizada de “The Château”.

Álbuns: “Franz Ferdinand” (2004), “You Could Have It So Much Better” (2005)

Arctic Monkeys
Os garotos britânicos do Arctic Monkeys são assumidamente fãs do Strokes. Assinaram contrato com a mesma gravadora do Franz Ferdinand e apesar de serem considerados “alternativos” , seu primeiro álbum “”Whatever People Say I Am, That´s What I´m Not” vendeu cerca 118 mil cópias em apenas um dia no Reino Unido.

Álbum: “Whatever People Say I Am, That´s What I Am Not” (2006)

The killers
Formado em 2002, o The Killers veio de Las Vegas (EUA). Foram considerados o melhor grupo de 2005 pela Billboard. O vocalista Brandon Flowers inspirou-se no Oasis e em David Bowie para formar a banda. Outra influência é o New Order: o nome “The Killers” foi tirado de um vídeo chamado Crystal.

Álbum: “Hot Fuss” (2004)

Curiosidade
No Brasil, o funk do grupo paulista Bond das Impostora tem feito sátiras em cima daqueles que cultuam o indie rock. Parodiando Take me out do Franz Ferdinand, o hit “King dos Blasé” tem colocado muita gente pra dançar até nas festas em que o indie comanda.

Onde encontrar indie em São Paulo:

Fun House
Endereço: Rua Bela Cintra, 567 Consolação
Horário: Quarta a sábado, a partir das 23h. Domingo, a partir das 20h
Informações: 7109-7144

Kat Pub
Endereço: Rua da Consolação, 2627 – Jardins

Outs
Endereço: Rua Augusta, 486 – Consolação
Horário: quinta, a partir das 21h30; sexta e sábado, a partir das 23h; domingo, 17h às 23h
Preço(s): consumação: R$ R$ 10,00 a R$ 15,00 (grátis para mulher, sexta e sábado até 0h); entrada: R$ 5,00 a R$ 8,00 (grátis par mulher, sexta e sábado, até 0h)
Informações: 3237-4940

DJ Club
Endereço: Alameda Franca, 241 – Jardim Paulista
Horário: quinta a sábado, 23h às 5h
Preço(s): Até 0h, mulheres vip; depois, R$ 10,00. H: R$ 15,00 a R$ 20,00
Informações: 3541-1955 / 9715-0533

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